Lírica Consumível
Poesia de contestação social, política e poética, contemporânea dos movimentos e iniciativas que transformaram as faces da poesia nos anos 60, nomeadamente a publicação da coletânea Poesia 61 e o desenvolvimento da Poesia Concreta e Experimental. Através de um discurso atento ao peso de cada palavra na construção do todo poético, o livro de estreia de Armando Silva Carvalho destaca-se pela missão atribuída ao poeta na denúncia corrosiva do "uso / do modo como se persegue / as coisas" («As Coisas»), do fastio e preguiça que invadem a cidade, do "arame que nos enrola a todos / as marcas esquisitas os sistemas impostos / numa bandeja fulva" («5 Prosas»), redundando a oposição cidade-campo (cf. CRUZ, Gastão, 1999) não numa idealização da vivacidade campestre, mas na acusação explícita de uma cedência generalizada do homem a valores "consumíveis". O livro de Armando da Silva Carvalho retoma a deambulação urbana e a atenção ao quotidiano de Cesário para desse registo visual, reabilitando a função referenciadora da linguagem (cf. GUIMARÃES, Fernando, 1989), firmar as imagens corrosivas de uma classe média imersa num "ciclo incessante de tristeza", que "passa a vida a conversar na escada / [...] que come à mesa, lavra a jeira privada / e consome à noite a sua dose de lágrimas / sem pensar em descontos" («5 Prosas»).
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Lírica Consumível na Infopédia [em linha]. Porto Editora. Disponível em https://www.infopedia.ptartigos/$lirica-consumivel [visualizado em 2026-06-25 17:08:58].
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