Luz e Calor
Esta obra, embora muito diferente de Nova Floresta, recorre ao mesmo processo tipicamente medieval de se servir dos apotegmas ou exemplos para ilustrar a exposição doutrinária. As personagens são agora alegóricas - a inteligência, a alma, a memória - e é através do seu diálogo que o autor expõe os seus pontos de doutrina ascético-mítica.
Luz e Calor faz a apologia da oração mental e recolhe sentenças piedosas de diversos autores. Está dividida em duas partes: a primeira é constituída por nove doutrinas; a segunda por cinco opúsculos constituídos por solilóquios. Tratam, de um modo geral, da vida interior do Homem e das lutas que terá de suportar para atingir a verdadeira perfeição.
Na segunda parte, menos especulativa e mais apologética, abundam exemplos de meditações, jaculatórias e orações, autênticos cânticos religiosos cujo estilo e sensualidade mística fazem lembrar os trabalhos de Jesus do asceta do século XVI.Este tratado espiritual exerceu uma ação pedagógica eficaz, alertando o leitor para erros perigosos como os de molinismo, doutrina condenada em 1687."Vinde, ó luz verdadeira. Vinde, eterna vida. Vinde, tesouro que não tem nome. Vinde alegria indeficiente, sol que não conhece ocaso, expectação fiel de todos os que se salvam."Opúsculo IV, Solilóquio I
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