malthusianismo
Conhece-se como "malthusianismo" a doutrina de Thomas Robert Malthus (1766-1834), que fundamentalmente defendia a necessidade de impor um limite à reprodução do ser humano, pois o crescimento demográfico implicaria sempre falta de alimentos.
Ou seja, tendia a opôr-se ao princípio de liberdade individual que representava a Revolução Francesa (1789), analisando crítica e friamente as consequências reais do desequilíbrio populacional e afirmando que a estrutura social diferente que se procurava e que traria felicidade às massas era absolutamente utópica, pois as necessidades ultrapassariam constantemente o crescimento populacional.
A fase final do desenvolvimento geométrico (ocupação de terra em regime de expansão por multiplicação de pessoas progressiva e incessante) resultaria na criação de territórios saturados de populações em busca de subsistência. Esta subsistência apenas cresceria aritmeticamente - ou seja, em sequência e não por multiplicação -, não conseguindo atingir quantidade suficiente para fazer face ao número de bocas a alimentar resultantes do crescimento geométrico, uma vez que este último funciona por múltiplos. Assim, depois de se esgotarem os meios, ficariam as populações entregues à fome, à doença, ao vício e à guerra. Malthus propôs como forma de prever as consequências nefastas do crescimento descontrolado (segundo ele, característico das classes populacionais mais desfavorecidas) uma "restrição moral", que preconizava um casamento tardio e abstinência de relações sexuais pré-maritais.
Este pensamento económico pessimista tornou-se obsoleto em poucos anos, pois foi uma previsão baseada nas circunstâncias geográficas e cronológicas em que vivia o autor, e como tal muito suscetível a falhas. Além do mais desde a sua génese, em 1798 com a obra An essay on the Principle of Population as it affects the Future Improvement of Society, with Remarks on the Speculations of Mr. Godwin, M. Condorcet and other Writers foi consolidada com exemplos, mas somente com aqueles que confirmavam a teoria. Como tal, não contemplou as derivações e evoluções sociais como o desenvolvimento tecnológico (maquinaria agrícola, por exemplo) e a diminuição populacional causada por fatores como a guerra, as epidemias, a poluição e o crime. Contudo, foi adotada pelo sistema inglês, entre outros, como forma de gerir riscos e de eliminar usos enraizados na tradição que desequilibravam a economia, como determinadas formas de caridade. De igual forma, enquanto que antes se encarava o crescimento populacional como um bem-vindo acréscimo de mão de obra começou a ver-se que a parte de riqueza que caberia a cada cidadão seria proporcionalmente menor ao aumento do número dos mesmos.
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