manchas solares
As manchas solares foram observadas pela primeira vez por Galileu no início do século XVII. A sua descoberta foi um duro golpe para o modelo do Universo vigente na altura. O estudo de Galileu e de outros cientistas da época das manchas permitiu, ainda, verificar que o Sol possui um movimento de rotação e que, além disso, esse movimento é diferenciado, pois, dependendo da latitude, a velocidade com que as manchas se deslocam é diferente. As manchas solares observadas na superfície do solar correspondem a zonas menos quentes (por isso mais escuras) que resultam da ação do campo magnético.
A presença do campo magnético impede a circulação do gás que fica retido e arrefece. As manchas surgem normalmente aos pares e a sua dimensão média é de cerca de 1500 km, tendo, no entanto, sido já observadas algumas com cerca de 150 000 km de diâmetro, muito superior ao diâmetro da esfera terrestre que é de cerca de 12 000 km.
A contagem de manchas solares permite estudar o ciclo solar. A quantidade de manchas solares varia em períodos de cerca de 11 anos alternando entre períodos de fraca atividade solar, em que se observa um baixo número de manchas solares durante o mínimo solar, e períodos de grande atividade solar, em que se observa um grande número de manchas solares durante o máximo solar.
Estas manchas são muito menos profundas do que se esperava, antes de um grupo de astrónomos ter conseguido medir a sua profundidade (cerca de 4800 km) utilizando um dos instrumentos da sonda SOHO (Solar and Heliosferic Observatory). Através do estudo das ondas sonoras que se propagam no seu interior, este grupo de astrónomos conseguiu descortinar o que se passa no interior das manchas solares e verificar que estas se encontram assentes em gigantescos furacões de gás resultantes das correntes ascendentes e descendentes sob a mancha. Aparentemente este processo é autossustentável pois o gás quente proveniente do interior da estrela substitui o gás arrefecido da mancha. Como este também possui o seu campo magnético associado, impede que o campo magnético da mancha se dissipe, e o gás vindo do interior também arrefece. Este processo pode ocorrer de forma continuada durante dias ou meses, período durante o qual a mancha se conserva.
As manchas solares são, portanto, causadas por interações ainda não totalmente compreendidas do gás da fotosfera com o complexo campo magnético do Sol cujo estudo nos permite saber mais sobre determinados aspetos da estrela mais observada do Universo, o nosso Sol.
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