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Mão Morta
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Foi em novembro de 1984 que se deu a formação dos Mão Morta, grupo rock português, oriundo de Braga, com Joaquim Pinto (baixo) falecido a 4 de novembro de 2024, Miguel Pedro (guitarra) e Adolfo Luxúria Canibal (voz).

O seu som apela a um rock agressivo, por vezes duro, com especial ênfase nas palavras.
Um dos pontos fortes da banda são as atuações ao vivo, com espetáculos carregados de violência sonora e visual, que põem a sua enorme legião de fãs ao rubro.

A primeira atuação do grupo ocorreu em 1985, no Orfeão da Foz, no Porto. Seguiu-se a entrada de um novo guitarrista e, no ano seguinte, a banda recebe o prémio Originalidade no 3.º Concurso de Música Moderna no célebre Rock Rendez-Vous.

As performances e o carisma de Adolfo Luxúria Canibal originaram, desde os primeiros momentos, um culto muito especial à volta da banda, aliado a uma atitude irreverente e controversa.
Em 1988 editam Mão Morta, o primeiro álbum da banda, a cargo da editora Ama Romanta. Deste registo, um dos fundamentais na lista de melhores álbuns rock, fazem parte temas clássicos da banda como «Oub'lá», «Sitiados» e «Até Cair». O sucesso da banda começava a desenhar-se, apesar de pequenos problemas nas atuações ao vivo, que por vezes resultavam em violência entre o público.

A banda teve depois uma série de concertos, destacando-se a polémica atuação no Rock Rendez-Vous, em que Adolfo Luxúria Canibal tomou a iniciativa de se cortar numa perna, recorrendo a uma faca.

A seguinte edição de estúdio, Corações Felpudos (1990), já contou com a participação de José Pedro Moura. Este disco merece excelentes críticas dos jornais da especialidade. No ano seguinte, O.D., Rainha do Rock & Crawl, outro longa-duração, mereceu lançamento internacional, numa aposta clara do grupo para atingir outros mercados. O disco mereceu distribuição na Alemanha, Suíça, Áustria e na antiga Checoslováquia.

Mutantes S.21 surgiu em 1992 e constituiu um diário de viagem por nove cidades, mas seria "Budapeste" a transportar os Mão Morta para os patamares da fama e para as preferências das publicações de música da época.

A banda optou por um período de afastamento, apenas voltando às gravações em 1994, com o disco Vénus em Chamas. A consagração definitiva da banda foi provada pela série de espetáculos levados a cabo um pouco por todo o país.

A banda participou nas coletâneas de homenagem a António Variações e Zeca Afonso, com contribuições aclamadas pela crítica.
Em 1995 celebraram o 10.° aniversário da banda com a edição da compilação Mão Morta Revisitada, que inclui os clássicos da banda reconstruídos, assim como temas inéditos.

Em junho de 1996, e como reconhecimento da carreira dos Mão Morta, o Centro Cultural de Belém convidou a banda de Braga para trabalhar poemas de Heiner Müller, a propósito da estreia mundial da peça Germania 3, do falecido dramaturgo alemão, prevista para janeiro de 1997.

"Müller no Hotel Hessischer Hof", uma peça musical encenada e interpretada pelos Mão Morta, a partir de textos de Heiner Müller, teve a sua estreia a 6 de janeiro de 1997, no pequeno auditório do CCB. Deste espetáculo resultou a gravação de um álbum, Müller no Hotel Hessischer Hof, editado pela NorteSul.

No ano de 1998, chegou às lojas o álbum Há Já Muito Tempo Que Nesta latrina o Ar Se Tornou Irrespirável.
Em 1999 festejaram o 15.° aniversário da banda com uma atuação no esgotado Coliseu dos Recreios, em Lisboa.

O ano de 2000 começou com a edição de Primavera de Destroços, por muitos considerado o melhor álbum da banda. Um registo que revela um complexo puzzle de ideias e intenções, descargas emocionais e sonoras. Em outubro desse ano chegou a consagração com o recebimento do prémio carreira, atribuído pelo jornal Blitz.

Com várias atuações em Portugal e em vários países europeus, tendo inclusive sido cabeças de cartaz em vários festivais musicais, os Mão Morta possuem um currículo invejável no que se refere a espetáculos onde fazem a primeira parte dos concertos de bandas estrangeiras: Nick Cave & The Bad Seeds; Wire; Young Gods; Jesus & Mary Chain; Rollins Band, entre outras.

O som dos Mão Morta caracteriza-se por uma enorme carga poética, grande densidade musical e a tecnologia mantém-se presente no subsolo das ideias. O rock and roll não é uma miragem e as canções assumem o papel de gritos de um desespero contido apenas pelo génio.

Da formação inicial resistem Adolfo Luxúria Canibal e Miguel Pedro.

Depois de um hiato de três anos, os Mão Morta lançaram Carícias Malícias (2003), uma coletânea que incluía também faixas originais. Esta edição antecedeu o lançamento de novo álbum de originais da banda no ano seguinte. Aos 20 anos de carreira, a banda revela-se em Nus, um registo com sete faixas, numa lógica de continuidade na sonoridade crua e intensa dos Mão Morta, revelando uma banda com vitalidade para seguir um caminho marcado pela coerência e pela harmonia estética dos seus ambientes sonoros.

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Mão Morta na Infopédia [em linha]. Porto Editora. Disponível em https://www.infopedia.ptartigos/$mao-morta [visualizado em 2026-06-04 02:38:52].
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