mapico
Nome designativo de um complexo de crenças e de atividades rituais dos Macondes, povo do Sudoeste africano.
O mapico visa não só integrar socialmente os adolescentes macondes, como também estabelecer o equilíbrio das relações entre mulheres e homens. No primeiro caso, trata-se dum ritual de iniciação; no segundo, de uma reação dos homens, que provocam medo nas mulheres, como forma de controlar o prestígio e domínio económico e social desta sociedade matrilinear.
O mapico consiste numa representação de vários espíritos personalizados e encarnados na máscara de madeira. O lipico (singular de mapico) é o nome designativo da máscara ou do mascarado. Quanto às máscaras, elas podem ser corporais e faciais. Estas, em forma de elmo, são sobretudo antropomórficas, representando rostos humanos, masculinos ou femininos (sendo estes menos usuais), e também rostos de animais ou de espíritos. A máscara com forma de elmo, mais conhecida internacionalmente, representa, na cerimónia de iniciação, o espírito de um antepassado na sua conduta moral. A máscara, feita com sumaúma, salienta os olhos, o nariz e a boca e apresenta, como elementos decorativos, não só entalhes de cor ocre, vermelho (do almagre) e cinzento, como também inclui cabelos verdadeiros.
Para aumentar o carácter misterioso do mapico, a arte de esculpir o lipico está reservada somente aos homens e é realizada num esconderijo, no mato, a que chamam mpolo. Aí, os homens iniciados reúnem-se, passando horas a esculpir vários lipicos, conversando e bebendo a nipa (aguardente tradicional). Depois de esculpida, a máscara é enfiada na cabeça do iniciado, que somente pode respirar e ver através da abertura bocal do lipico. O indivíduo está ainda tapado com uma complexa indumentária que lhe esconde, totalmente, a sua identidade. Esta indumentária é composta por cinco peças de diferentes tecidos, ajustadas, por uma corda, ao corpo do jovem iniciado. A cobrir-lhe as costas e o peito, coloca-se uma malha, em corda, que sustenta vários chocalhos os quais, no decorrer da dança, provocam barulho. Numa espécie de encenação teatral, o dançarino executa vários passos sempre em sintonia com os tambores (ligoma, likuti, singanga, neya ou neha e ntojo ou ntonha) que acompanham a dança. Depois de encantar e divertir os expectadores, segue-se uma encenação de perseguição e fuga realizada pelo bailarino e por um grupo de aldeões.
Segundo a tradição dos Macondes, o lipico era um lihoka (defunto) que surgia da terra quando era invocado pelas vozes humanas e pelos tambores. Quando aparecia na aldeia, provocava medo nas mulheres e crianças, que não se apercebiam de que o lipico era um elemento da comunidade, dado que este estava coberto com máscara e panos e dançava longe do centro da aldeia. Nos dias de hoje, as cerimónias do mapico atraem numerosos visitantes, principalmente, das aldeias vizinhas, que procuram trocar experiências e estabelecer laços de amizade.
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