Margarida
Primeiro romance do ciclo Cenas da Vida Contemporânea, bem acolhido pelo público, tendo conhecido uma segunda edição em 1880, dotada de um prefácio doutrinário. Influenciado por O Primo Basílio, de Eça de Queirós, Júlio Lourenço Pinto pretende fazer aqui um estudo das consequências do adultério por parte do marido, neste caso Fernando, casado com a doce e serena Margarida, seduzido pela também casada Adelina.
Os pressupostos naturalistas perfilhados pelo autor subjazem à evolução da trama - o adultério é favorecido por fatores patológicos (a instabilidade de Adelina, "fogosa e indolente, mórbida e excitável"; a fraqueza de carácter de Luís, seu marido, herdeiro do temperamento linfático da mãe) e educacionais (Adelina é educada num colégio, onde exacerba os seus desequilíbrios e lê romances sentimentais; Fernando deixa-se encaminhar para as grandes decisões pelo pai), mas a obra não está isenta de marcas românticas, nomeadamente no desfecho, com a morte trágica da inocente Margarida, vítima de um "tifo cérebro-espinal".
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