Michel Houellebecq
Escritor francês, Michel Houellebecq nasceu no ano de 1958, na Ilha da Reunião. Filho de um guia de montanha e de uma médica, foi enviado ainda em criança para a França Continental, para junto dos cuidados da avó. Iniciou os seus estudos num colégio interno em Meaux e, concluindo o ensino secundário, frequentou o Instituto Nacional de Agronomia, de onde obteve o seu diploma. Estudou simultaneamente Matemática em Jussieu.
Passou depois por um período difícil, marcado pelo consumo excessivo de álcool que, combinado com os ansiolíticos que lhe haviam sido receitados, resultou num síndrome depressivo grave, ao ponto de ter que ser internado num hospital psiquiátrico. Encontrando a sua reabilitação na escrita, Michel Houellebecq estreou-se em 1991, ao publicar um ensaio consagrado ao célebre romancista norte-americano H.P. Lovercraft, e que levava o título Contre Le Monde, Contre La Vie.
O trabalho recorria à análise da obra fantástica, não sem delinear já as grandes preocupações que o autor francês viria a demonstrar no decorrer da sua produção literária, como sendo a sedução do ser humano em geral pelo sexo e pelo dinheiro. Prosseguindo portanto nesta temática, publicou o seu primeiro romance em 1994, Extensions du Domaine de la Lute, no qual se servia de dois protagonistas para estabelecer uma problemática entre dois extremos que se tocam, o da incapacidade de amar e o da obsessão sexual. A obra foi galardoada com o Grande Prémio Nacional das Letras, bem como o Prémio Flore.
Michel Houellebecq procurou então novas formas de manifestar o seu talento, reunindo duas compilações de poemas, a primeira publicada em 1996, com o título Le Sens du Combat, e a outra, Rester Vivant suivi de La Poursute du Bonheur (1997). Ao expor a sua intimidade, o autor revelava uma integridade de opiniões e uma sinceridade na crítica social.
O ano de 1998 ficou marcado pelo aparecimento de Interventions, conjunto de ensaios também conhecido como Le Monde comme un Supermarché, e do romance Les Particules Elementaires (As Partículas Elementares), obra pseudo-autobiográfica em que saudava o espírito perdido do altruísmo e da dedicação desinteressada.
No ano seguinte causou grande polémica após a publicação de Platteforme (1999, Plataforma: no meio do mundo), não só pelas descrições altamente pornográficas, como também pelas suas ideias no que respeita ao fenómeno da imigração, sobretudo proveniente dos países árabes.
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