mito
Do grego mythos, que significa narrativa ou lenda.
O mito, num sentido generalizado e mais comum, é uma crença imaginária baseada na credulidade daqueles que a aceitam. Também considerado uma fábula ou um conto, trata-se de uma narrativa didática que exprime uma conceção ou uma ideia abstrata.
Os mitos têm importantes funções sociais, já que asseguram a coesão do grupo ao fornecerem uma justificação à ordem, simultaneamente natural e social, no mundo, bem como fundamentam e regulam as condutas sociais, favorecendo a coesão e a solidariedade social.
O mito conta uma história sagrada, ou seja, um acontecimento primordial que teve lugar no início do tempo. Contar uma história sagrada equivale a contar um mistério, porque as personagens de um mito são deuses ou heróis. O mito é a história do que se passou, a narração daquilo que os deuses ou os seres divinos fizeram no início do tempo. É a narração da Criação, isto é, o mito explica como e porque é que qualquer coisa existiu. Ele fundamenta e justifica a existência do mundo sacralizando-o, atribuindo-o à ação de seres sobrenaturais. Neste sentido, o mundo só existe de facto na medida em que participa do sagrado e do verdadeiro ser.
Existe um outro aspeto essencial no mito: fornece o arquétipo, o modelo "exemplar" para a ação do Homem, a qual, para ter significado, deverá ser a repetição duma conduta divina.
O mito tem a sua concretização no rito. O mito é simultaneamente narração e ação através do rito. Assim, o mito-narrativa assemelha-se ao conto ou à lenda e é um pouco primitivo, apesar de estruturar uma certa mentalidade. Ele é sentido e vivido antes de ser inteligível e formulado. É a forma espontânea de estar no mundo, uma apreensão das coisas e dos seres, das condutas e das atitudes, da inserção do Homem na sua realidade e no mundo.
Para concluir, poder-se-á dizer que é através do mito que o Homem esboça os seus primeiros e principais valores.
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