monema
Unidade da primeira articulação ou morfologia, segundo a teoria estruturalista de André Martinet, mais ou menos equivalente ao conceito de morfema, para o distribucionalismo americano.
A. Martinet definiu dois tipos de monemas: os "monemas lexicais" ou "lexemas" (pertencentes a classes abertas, como nomes, verbos, adjetivos) e os "monemas gramaticais" ou "morfemas" (pertencentes a classes fechadas, como pronomes, conjunções, preposições, determinantes, desinências verbais e nominais). Podem assim combinar-se na mesma palavra lexemas e morfemas: a palavra <escrevia> é formada pelo lexema escrev- e pelo morfema -ia. Nos casos de palavras formadas por derivação (por prefixação - re+fazer ou sufixação - terna+mente) ou por composição (justaposição - peixe-aranha, ou aglutinação - vin(ho)+agre) em que há a combinação de dois monemas, A. Martinet utilizou o conceito de sintemas para designar estas unidadades maiores.
Partindo da noção de que os monemas nas línguas românicas gozam de liberdade sintática (Hoje o João saiu cedo ou O João saiu hoje cedo), A. Martinet distingue tipos de monemas segundo a sua função na frase: monemas autónomos (têm a função contida no próprio sentido); monemas funcionais (indicam a função de outros monemas - preposições e conjunções); modalidades (função classificatória ou especificadora - exemplo: os determinantes); os monemas dependentes (cuja posição indica a função que ocupam); monemas predicativos ou independentes (constituem o núcleo do enunciado). Segue-se um exemplo destes monemas:
A(c) Maria(d) vai(e) amanhã(a) a(b)o(c) médico(d).
a) monemas autónomos
b) monemas funcionais
c) modalidades
d) monemas dependentes
e) monemas predicativos ou independentes
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