narcisismo
Gostar de si mesmo, cuidar-se, arrumar-se e ter uma boa autoestima é um processo fundamental para se ter um ego equilibrado. É um sinónimo de ligação saudável com a vida. O Homem é um animal narcísico na medida em que se autoavalia e necessita de ser apreciado pelos outros.
A criança para organizar a sua autoestima necessita em primeiro lugar de ser amada pelos outros.
A criança capta afeto dos outros, sente-se com valor e a seguir já é capaz de dar afeto. O percurso saudável, de um ponto de vista psicológico, é o de ser amado para poder amar-se a si mesmo e consequentemente amar os outros.
Se esta receção de amor falha, o sujeito fica com pouco amor dentro de si e sem capacidade de se amar ou amar. Ter reserva de amor permite amar. Quando o indivíduo não foi suficientemente amado, fica com uma insuficiência narcísica, uma necessidade constante de se sentir amado e deprime-se à mais leve perda de amor ou à mais curta ausência do ser amado. Todas as perturbações narcísicas fundam-se nesta insuficiência.
O narcisismo torna-se patológico quando o processo de maturação e desenvolvimento do indivíduo sofre perturbações. Assim, pode-se manifestar na idade adulta como uma irregularidade provocada por conflitos, desajustes sexuais, deceções amorosas, etc.
Segundo a psicanálise, o narcisismo leva a eleger-se a si próprio como objeto de amor, em vez dessa emoção ser dirigida a outra pessoa do sexo oposto; a libido é, neste caso, dirigida anormalmente ao próprio eu.
As pessoas narcísicas interessam-se sobretudo por si e pouco pelos outros, são pessoas consideradas arrogantes, vaidosas e egocêntricas. O problema é que estes sujeitos não foram suficientemente investidos na infância, o que implica que fiquem com uma baixa autoestima. O trágico é que o indivíduo que não foi amado não sabe amar pois nunca aprendeu, assim dificilmente poderá vir a ser amado. A sua sede de amor é grande, mas ao mesmo tempo existe um certo ódio à relação amorosa e uma descrença no amor que o leva a estragar a relação ou a nunca a conquistar.
A forma como estes indivíduos agem numa relação pode ser variada:
- Podem estar sempre a solicitar afeto, frequente em personalidades histéricas, em que estão sempre a pedir atenção;
- Podem adotar um comportamento paradoxal, ou seja, dar afeto com o ímpeto de o receber. O principal interesse é receber, típico nas personalidades depressivas, dando muito afeto mas também o exigindo;
- E podem exercer um ataque ao narcisismo dos outros, isto é, procurar desvalorizar os outros e criticá-los. Esta atitude narcísica de ataque aos outros é muitas vezes acompanhada de um auto-engrandecimento, o de se julgarem melhor que os outros e tomarem uma atitude omnipotente em relação aos outros.
Estes mecanismos não são eficientes, são uma ilusão para enganar os outros, pois no fundo existe um sentimento de inferioridade. O narcisista dá pouco amor e como gosta de criticar os outros, cada vez recebe menos amor.
O processo de compensação narcísica pela grandiosidade e pela exaltação da imagem é sentido pelo sujeito como um prémio de consolação que se atribui a si mesmo por não se ter sentido suficientemente amado e valorizado. Há, assim, uma necessidade de se investir em si mesmo, na tentativa de reparar o pouco investimento que teve. Quando o sujeito não se sente amado, deprime-se. A melhor reparação dessa depressão é amar-se a si mesmo e investir-se narcisicamente.
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