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Nova República (Sidonismo)
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Sidónio Pais, major e professor, liderou uma revolta em Lisboa, a 5 de dezembro de 1917, apoiada por alguns populares e elementos da Escola de Guerra, que se afirmava contra a guerra e contra a demagogia da ala democrática. Esta revolta surgiu numa altura em que a maior parte do exército se encontrava no exterior a lutar na Flandres e em África, no âmbito da Primeira Guerra Mundial, e o chefe do governo estava também ausente.
Este novo líder, saído de uma revolução apoiada pelos grandes burgueses e pelo Partido Unionista, era uma figura ainda com pouca projeção, embora tivesse sido ministro nos governos de 1911 e 1912. Apesar disso, veio a alterar radicalmente a estrutura política do país. O ministério, presidido interinamente por Nórton de Matos, demitiu-se, enquanto Bernardino Machado foi convidado a deixar o país e Afonso Costa foi preso ao entrar em Portugal.
Foi então instaurada uma ditadura militar, que reclamou para si todos os poderes e introduziu um sistema presidencialista do tipo americano, que elegeu Sidónio Pais Presidente da República nas eleições diretas (não admitidas pela Constituição republicana de 1911) de abril de 1918.
Retrato de Sidónio Pais
A "Nova República", como era chamada, afastou de si o Partido Unionista, que de início apoiara a revolução, mas que perante a atitude ditatorial do seu líder preferiu passar a integrar as fileiras da oposição. Nas eleições legislativas agendadas para o mesmo mês, as maiores forças políticas da República deposta recusaram-se a participar no ato eleitoral, à exceção dos monárquicos, que tiveram alguma representatividade em certos círculos.
O regime Sidonista trouxe um clima de terror e de instabilidade, embora Sidónio Pais começasse por suscitar grande simpatia da parte das massas populares, que o elevaram ao estatuto de "herói popular" e nele encontraram um chefe ou um verdadeiro líder. Este cultivava a sua figura e encenava grandes receções, cavalgadas pela rua (num cavalo branco, principalmente em manhãs de nevoeiro, em pose sebastiânica) e paradas militares, contrastantes com a atuação da República burguesa maçónica que ocupara o poder anteriormente.
Esta "Nova República" não apresentava um programa político bem definido, que trouxesse alternativas ao governo anterior; tinha, no entanto, de tentar responder às promessas feitas pela propaganda republicana. Sidónio Pais não tinha quadros superiores de qualidade que lhe permitissem implementar as reformas exigidas. Como o Partido Unionista o tinha abandonado, só poderia recorrer ao grupo de Machado Santos e aos jovens cadetes da Escola de Guerra, mas nem uns nem outros pareciam preencher os requisitos. A sua base de apoio foi encontrada na ala de extrema direita, um agrupamento que incluía alguns adeptos da monarquia, representantes da alta burguesia e elementos do clero, um fator que o distanciou ainda mais dos republicanos.
Nos primeiros tempos da ditadura vivia-se num clima de grande instabilidade política, ou seja, uma das razões do relativo apoio popular que tinha - acabar com a anarquia dos governos republicanos - desvanecia-se. Havia constantes mudanças no governo, os ecos da guerra eram cada vez mais fortes e o moral das tropas estava muito abalado, numa altura em que alguns soldados a combater na Flandres regressavam a Portugal, muitos estropiados ou mutilados.
Entretanto, na capital uma parte do proletariado que confiara em Sidónio Pais sentia-se profundamente desiludida com a sua política social, agravando um ambiente de terror e censura gerado pela ditadura. Face a esta situação pouco confortável para o governo de Sidónio Pais, a oposição liberal refortalecia-se e lançava-se numa onda de revoltas e conspirações para retomar o poder.
A "Nova República" falia, ainda que tivesse algum apoio entre certos intelectuais e tenha despertado uma aura "messiânica" no País. E expira mesmo em dezembro de 1918, com o assassinato de Sidónio Pais, um acontecimento duplamente funesto, pois empurrou o país para uma grave crise da qual a República (que de seguida regressa ao governo, nos moldes anteriores a 1917) nunca mais recuperará.
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Como referenciar
Nova República (Sidonismo) na Infopédia [em linha]. Porto Editora. Disponível em https://www.infopedia.ptartigos/$nova-republica-(sidonismo) [visualizado em 2026-06-13 09:37:36].

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