O Crime do Padre Amaro
Romance que oferece uma interessante história textual: a primeira versão surge nas páginas da Revista Ocidental; a segunda, primeira em volume, acontece em 1876; a terceira, segunda em volume, sai em 1880, já depois da publicação de O Primo Basílio, de 1878. A edição definitiva tem como prefácio o texto doutrinário que surgirá na Correspondência inédita de Fradique Mendes sob o título "Idealismo e Realismo", no qual Eça de Queirós teoriza acerca do Naturalismo, definido como um método novo de encarar a verdade, e atribui à arte uma missão pedagógica de reforma social.
Nesta perspetiva, a obra pretende denunciar os malefícios morais e sociais resultantes do sacerdócio sem vocação e da falsa educação religiosa. A violenta crítica ao clero católico e aos efeitos perniciosos da sua presença nos lares burgueses, para além de subjacente à intriga principal - o processo de sedução de Amélia por parte de Amaro; o crime deste, anunciado no título, correspondente ao sacrifício do seu próprio filho, desdobra-se numa série de cenas e personagens secundárias, onde sobressaem o cinismo e a luxúria do cónego Dias.
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