O Selo da Roda
Obra de Pedro Ivo, publicada em 1876.
Romance de intenção moralizadora que visa protestar contra a existência da roda dos expostos, instituição que o narrador condena em longas passagens exaltadas ("Quando deixará de existir essa cúmplice de um imenso crime, que se decompõe em miríades de crimes!?...
Quando veremos por terra esse padrão de imoralidade ainda hoje erguido no centro de algumas das nossas povoações!?...") e através da história atribulada de Fernanda. Fruto do amor proibido entre dois jovens provenientes de famílias inimigas (a dele, liberal, a dela, miguelista), Fernanda é escondida da mãe à nascença e depositada na roda, onde passa a ostentar o "selo", marca de miséria física e moral que, para o autor, é estigma preso ao enjeitado "pelo fio da vida". Depois de várias peripécias, Fernanda encontra a felicidade junto da mãe, da meia-irmã e de Jorge, mas não deixa de ser perseguida de quando em vez pela sombra do passado.
As constantes intrusões do narrador e interpelações ao leitor ("Perdoem-me; mas... não posso; preciso de lhes comunicar uma ideia, que mil vezes me tem preocupado.") reforçam o envolvimento do leitor na história, acentuando a sua função edificante.
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