O Último Tango em Paris
Drama erótico franco-italiano realizado em 1972 por Bernardo Bertolucci. Intitulado originalmente L'Ultimo Tango a Parigi, foi interpretado por Marlon Brando, Maria Schneider, Jean-Pierre Léaud e Maria Michi.
O argumento foi escrito por Bertolucci e Franco Arcalli, colocando em cena a sexualidade com uma crueza e intimidade praticamente inéditas à data da estreia, o que o transformou num filme-escândalo.
Paul (Marlon Brando, numa das melhores interpretações da sua carreira) é um americano de meia-idade que vive em Paris uma espécie de exílio emocional, desfeito pelo suicídio da sua infiel esposa. Jeanne (Maria Schneider) é uma adorável jovem parisiense, noiva de Tom (Jean-Pierre Léaud) - um realizador que a quer basicamente para objeto de inspiração -, mas insatisfeita com a relação.
Os dois encontram-se num apartamento para alugar e, apesar da diferença de idades ser superior a 20 anos, acabam a fazer amor, encontrando um no outro aquilo de que necessitam.
A partir daí iniciam uma estranha relação, puramente carnal, anónima e com laivos de sadomasoquismo, no apartamento onde se conheceram. Ele quer esquecer a mulher e Jeanne encontra nele aquilo que Tom não lhe dá. Ela diz-lhe que ele sabe como amar uma mulher, mas as suas reações físicas revelam a sua obsessão pelos atrativos sexuais de Paul. Não existem tabus na sua animalesca relação, mas o confronto inicia-se quando Paul quebra o hábito da impersonalidade.
O poder do filme reside maioritariamente nas memoráveis personagens que desesperadamente procuram o contacto humano. Especialmente a de Brando, que domina o filme da mesma forma que Paul domina Jeanne. Grande parte dos seus diálogos foram improvisados, tendo o ator também confessado que colocou muito dele próprio na sua personagem, o que o desgastou emocionalmente. As grandes cenas do filme são por ele protagonizadas - o monólogo junto ao caixão da mulher, o tango que dança, bêbado, entre bailarinos profissionais ou a sequência emblemática da utilização da manteiga com Jeanne. Apesar da entrega dos atores, é necessário destacar o magnífico trabalho do diretor de fotografia Vittorio Storaro na densificação do conteúdo emocional e na beleza da composição dos planos.
Clássico do erotismo, O Último Tango em Paris foi proibido em alguns países como Portugal e Itália. Antes do 25 de abril, tornou-se mesmo moda ir ao estrangeiro ver o filme, tal a fama de que dispunha.
Foi nomeado para dois Óscares (Melhor Realizador e Ator Principal) e para dois Globos de Ouro (Melhor Filme Dramático e Melhor Realizador).
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