Organização Sociopolítica do Estado Novo
Desde o momento em que Salazar entrou no Governo, mesmo ainda como Ministro das Finanças, assumiu desde logo a posição de ideólogo do regime, propondo-se definir as áreas prioritárias da sua intervenção: a economia, o plano social e o setor político, por esta ordem.
Como se vê pela hierarquização das suas prioridades, a política, considerada o principal fator de discórdia e de desagregação do país, foi relegada para terceiro lugar, marcando assim um dos aspetos mais distintos da sua ideologia. Em 1930 apresentou as linhas mestras do seu regime autoritário, de modo a preparar a sua ascensão à chefia do Governo.
No início, um dos aspetos fundamentais do seu programa foi a dimensão ultramarina da Nação portuguesa, inserida numa ideologia nacional-colonialista, que se coadunava com a defesa de um modelo corporativista moderno, adotado pelos regimes fascistas e nacional-socialistas.
Salazar rompia, ao mesmo tempo, com o liberalismo e com o socialismo. Propunha, inversamente, organizar o país segundo as "forças vivas", isto é, através de sindicatos, associações de patronato, dos municípios e de outros tipo de associações de carácter local, agregados numa única câmara, por forma a desenvolver, forçosamente, a colaboração entre as classes sociais e a conjugar interesses antagónicos, que pareciam irreconciliáveis.
As corporações profissionais, tuteladas pelo Estado, passavam então a controlar a vida social e económica portuguesa.
Um dos problemas que mais absorviam a atenção do ditador era a transição natural de um regime de ditadura militar instaurada em 1926 para uma nova ordem constitucional; no entanto, considerava não estarem ainda criadas as condições políticas que permitissem a formação de uma opinião pública que legitimasse este novo estado de coisas.
Nesta conjuntura, surgiu em 1930 uma organização política não-partidária, a União Nacional, que tinha como principal objetivo apoiar as atividades políticas do Governo. Outro ponto fundamental na legitimação do novo regime foi a preparação da nova Constituição (projeto de 28 de maio de 1932), que condensava todos os aspetos da ideologia salazarista.
No mês de julho de 1932, Salazar assumia a chefia do Governo. A 19 de março do ano seguinte era aprovada a Constituição, num plebiscito onde as abstenções eram consideradas votos favoráveis. Este texto foi inspirado na Carta Constitucional de 1826, na Constituição de 1911, na Constituição Alemã de 1919 (de Weimar) e nas Leis Constitucionais de 1926-1933. Terminava assim a ditadura militar e tinha início um novo período da História de Portugal, conhecido como Estado Novo.
Em 1933 a União Nacional atraiu católicos, monárquicos e sindicalistas a aderir ao seu projeto, que não passava de um partido único. O regime aproximava-se dos regimes totalitários. Proibiu todo tipo de oposição, aboliu o direito à greve, criou a Mocidade Portuguesa e a Legião Portuguesa (em 1936 e em 1937, respetivamente), e uma força civil paramilitar de defesa do regime formada a pedido das forças nacionalistas franquistas.
O Governo reprimia os opositores, muito deles condenados a penas de prisão no Tarrafal, Cabo Verde, e prosseguia com uma política económica que investia na organização do Exército, na construção de vias de comunicação, no desenvolvimento de algumas infraestruturas e na edificação de escolas onde os alunos eram educados pela nova ideologia.
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