paixão
Etimologicamente, paixão deriva das palavras "sofrer" e "padecer". Tradicionalmente, relaciona-se paixão com passividade e para o ser humano, estar apaixonado é invariavelmente sinónimo de sofrimento.
O Homem é definido pela sua liberdade. Assim, a passividade a que a paixão induz é obviamente vista como algo pejorativo. A paixão impede o corpo do seu funcionamento normal e está associada a uma ação incontrolada do corpo sobre o espírito.
Toda a tradição moralista visava o domínio de si, da razão sobre as emoções e desejos e ilustrava a paixão como algo que transforma o Homem em dependente, viciado e que o deixa num estado de sofrimento.
O estado de paixão assinala uma submissão da alma aos desejos corporais. Ela é negativa pois destrói a harmonia existente entre o corpo e a alma. Para Platão, esta harmonia só pode existir com a proteção da razão. Na paixão, a razão torna-se submissa à vontade das emoções.
Assim, para Descartes e Kant, a razão é oposta às paixões enquanto razão universal, que pode dar ao Homem o estatuto de ser livre e autónomo. A paixão, é então, a perversão de uma ordem e está condenada como vício ou como doença da alma.
Para Espinosa, o Homem pode controlar a sua paixão com o uso da razão, transformando a paixão num sentimento positivo. A sabedoria consiste em aproveitar as leis da paixão e dominar as paixões, que por vezes são o motor de conhecimento que levam à sabedoria. Pode-se então falar de boas paixões. Assim, transforma-se o que era passivo em ativo através da compreensão da origem e formação das paixões.
Na cultura contemporânea, há uma transformação do valor moral da paixão. O essencial de um Homem não está no seu pensamento consciente, mas nas suas paixões, que são a expressão da verdadeira realidade do ser.
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