Páscoa Feliz
Impregnada pela admiração que nutriu nos anos 30 pela personalidade literária de um Raul Brandão de a Farsa ou de Os Pobres ("O seu génio burlesco e a sua prodigiosa mistificação mostravam-me como a linguagem, mesmo pobre, se desdobra e renova; que ela não é feita de um embrenhado de palavras e frases, nem de exercícios gramaticais, estilísticos e lexicológicos (... (que a maneira de narrar é que faz a narração", nota do autor à 2.ª edição de Páscoa Feliz, Lisboa, 1958), esta narrativa de estreia detém um espaço único na ficção de Miguéis, atingindo aí o desdobramento do narrador, dividido psicoticamente entre um eu e um outro, e a expressão torrencial e alucinada que acompanha o discurso da loucura, características que, embora recorrentes num ou noutro aspeto na sua ficção, não voltarão a atingir o mesmo excesso e obscuridade, tendendo a narração, nas obras seguintes, para uma linearidade na apresentação realista da ação e das personagens.
A novela começa com o julgamento do protagonista, um esquizofrénico paranoico, órfão desde a infância, que, incapaz de se revoltar contra a opressão social que o faz conhecer, ao longo da vida, a miséria e a humilhação, refugia-se no "delírio gratificante do crime", sentindo-se, por uma força que não domina, obrigado a levar uma vida dissipada, a ignorar a mulher e o filho, a roubar compulsivamente o patrão, que acabará por matar uma vez descobertos os seus desvios de dinheiro. Narrada como um pesadelo, na primeira pessoa, pelo protagonista psicopata, a novela descreve a queda e alucinação de um indivíduo cada vez mais divorciado da realidade social, e que só encontrará a paz perdida, amnésico, no manicómio.
A novela começa com o julgamento do protagonista, um esquizofrénico paranoico, órfão desde a infância, que, incapaz de se revoltar contra a opressão social que o faz conhecer, ao longo da vida, a miséria e a humilhação, refugia-se no "delírio gratificante do crime", sentindo-se, por uma força que não domina, obrigado a levar uma vida dissipada, a ignorar a mulher e o filho, a roubar compulsivamente o patrão, que acabará por matar uma vez descobertos os seus desvios de dinheiro. Narrada como um pesadelo, na primeira pessoa, pelo protagonista psicopata, a novela descreve a queda e alucinação de um indivíduo cada vez mais divorciado da realidade social, e que só encontrará a paz perdida, amnésico, no manicómio.
Partilhar
Como referenciar
Páscoa Feliz na Infopédia [em linha]. Porto Editora. Disponível em https://www.infopedia.ptartigos/$pascoa-feliz [visualizado em 2026-06-16 10:40:28].
Outros artigos
-
Lisboanull
-
Raul BrandãoProsador, ficcionista, dramaturgo e pintor, oriundo da Foz do Douro, no Porto, nasceu a 12 de março ...
-
ContosCompilação póstuma de narrativas dispersas pela imprensa, compostas entre 1874 e 1898, organizada po
-
Contos e Páginas DispersasCompilação que reúne, para além das seis Histórias Cor-de-Rosa publicadas em 1870, o conto "A Primei
-
ContosColetânea de 10 narrativas, em parte originalmente publicadas em folhetins no Comércio do Porto, enq
-
O Problema do Romance Português ContemporâneoEditado pelos cadernos Seara Nova, este texto, que reproduz uma conferência proferida na Voz do Oper
-
Serões Honestos. Contos PortuguesesColetânea de contos, de Cipriano Jardim, com um prefácio doutrinário de Urbano de Castro, em que est
-
Contos do Gin-TonicIncluindo prosa e verso, Contos do Gin-Tonic, de Mário-Henrique Leiria, datado de 1973, colige texto
-
Contos EscolhidosAntologia de contos extraídos dos três volumes dos Contos de minha Lavra, Contos de Aldeia e Novos C
-
Poesias e ContosColetânea de poesias dispersas pelos vários jornais e revistas em que Arnaldo Gama colaborou, onde,
Partilhar
Como referenciar 
Páscoa Feliz na Infopédia [em linha]. Porto Editora. Disponível em https://www.infopedia.ptartigos/$pascoa-feliz [visualizado em 2026-06-16 10:40:28].