payback period
No âmbito da gestão financeira como um todo, as empresas veem-se por vezes na necessidade de ponderar a eventual execução de projetos de investimento. Estes consistem genericamente em propostas de aplicação de um determinado volume de recursos financeiros num determinado negócio, no sentido de retirar dele um retorno, durante um período de tempo mais ou menos longo, capaz de remunerar devidamente a referida aplicação. Todos os projetos implicam, assim, um determinado volume de despesas (que podem ser genericamente de investimento ou de exploração normal da atividade) e receitas (genericamente associadas à exploração).
Embora se possam identificar diversos tipos de projetos em termos de calendarização prevista das despesas e receitas, o caso mais típico é o de projetos caracterizados por um período inicial de despesas de investimento que permitem a criação das condições necessárias para o início da laboração normal, que por sua vez vai permitir a obtenção de uma diferença (desejavelmente positiva) entre receitas e despesas, vulgarmente designada de cash-flow de exploração.
Uma das tarefas da gestão financeira a nível da análise de projetos de investimento é a avaliação destes em termos de um conjunto de indicadores que vão servir de suporte, pelo menos parcial, para a tomada de decisão final relativamente àqueles. Entre esses indicadores, de natureza económico-financeira, encontram-se, designadamente: o VAL - Valor Atualizado Líquido (que consiste basicamente no valor dos cash-flows totais, incluindo os das atividades de investimento e exploração, atualizados em termos de cálculo financeiro para o momento da tomada de decisão associada ao projeto, sendo essa atualização necessária pelo facto de se estarem a somar capitais em diferentes momentos do tempo); a TIR - Taxa Interna de Rendibilidade (que corresponde à taxa de atualização que obtemos quando igualamos o VAL a zero); o payback period ou período de recuperação do investimento.
O payback period corresponde ao tempo necessário para que um determinado projeto convencional em termos de calendarização das despesas e receitas permita a recuperação das despesas associadas ao investimento inicial através dos cash-flows de exploração do projeto em causa. Assim sendo, quanto menor o payback period, maior a qualidade do projeto em causa. Na prática, o payback period traduz-se na comparação entre o valor acumulado dos cash-flows de exploração em cada ano e o valor acumulado dos investimentos até aí também realizados. No momento em que o valor acumulado de cash-flows de exploração acumulados ultrapassar os investimentos acumulados tem origem o payback period.
Dentro deste indicador há ainda que distinguir duas formas utilizadas para o seu cálculo: uma segundo a qual o cálculo, conforme referido, se baseia nos valores estimados para cada rubrica para cada ano, sem considerar o facto de se estar a comparar valores em momentos do tempo diferentes; uma outra, que permite o cálculo do chamado payback period atualizado, que procede permanentemente à atualização desses valores para o momento da tomada de decisão do projeto.
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