PER (Price-Earnings Ratio)
A avaliação da situação de uma empresa ou organização nas suas várias vertentes é uma das principais tarefas da sua gestão financeira. Existem várias formas, muitas delas complementares, de proceder a esse tipo de avaliação, sendo umas das mais usadas o chamado método dos rácios.
Este método baseia-se precisamente no cálculo de vários tipos de rácios com base em valores de rubricas dos principais mapas contabilísticos (balanço, demonstração de resultados, etc.) ou outras grandezas económico-financeiras. Este método tem no entanto algumas limitações, pelo que a sua análise deverá ser complementada com uma avaliação de cariz mais qualitativo.
O método dos rácios pode recorrer a vários tipos de rácios, designadamente: rácios económico-financeiros, que se referem naturalmente a grandezas de natureza económica e financeira, no sentido de avaliar aspetos como a estrutura financeira, a rendibilidade, a liquidez e a solvabilidade de uma empresa; rácios de funcionamento, que permitem avaliar os impactos da gestão financeira ao nível da atividade operacional, pelo que se traduzem em rácios como o tempo médio de recebimento, tempo médio de pagamento, tempo médio de permanência de existências em stock, etc.; rácios técnicos, que pretendem traduzir a performance da empresa em aspetos relacionados com a produção e outras atividades, estando aqui em causa indicadores como a rendibilidade dos equipamentos, a produtividade da mão de obra, etc.; rácios baseados no mercado, que se aplicam às empresas cotadas em mercados monetários, designadamente no mercado acionista.
De entre os rácios baseados no mercado, merece destaque o denominado PER (Price-Earnings Ratio), por vezes designado de coeficiente de atualização dos resultados. O PER é calculado através do rácio entre o preço de cotação de uma determinada ação (como numerador) e o valor dos resultados por ação correspondentes (como denominador). Neste contexto, se admitíssemos a manutenção dos resultados como constantes, o PER designaria o período de recuperação do capital de um investidor que adquirisse uma ação ao preço em causa com uma política de distribuição total de dividendos.
O mercado não é, no entanto, constante, pelo que a interpretação a dar ao PER é normalmente a seguinte: a existência de um PER elevado para as ações de uma empresa relativamente a outra deriva de três fatores fundamentais: expectativa de crescimento elevado do valor dos dividendos; expectativa de taxas de distribuição de dividendos elevadas; consideração por parte dos investidores de que a ação em causa comporta um baixo nível de risco, pelo que a taxa de rendibilidade por eles exigida será também menor.
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