pertinência de valores
Durkheim considerava que os valores míticos e religiosos, que funcionaram como crenças nas sociedades tradicionais, serviram para exercer o controlo e a coesão sociais, e para inspirar as avaliações e as motivações das pessoas. É assim que, nas sociedades tradicionais de solidariedade mecânica, os indivíduos estão integrados por valores comuns, que se lhes impõem, garantindo a coesão social. Já nas sociedades modernas de solidariedade orgânica verifica-se, segundo Durkheim, uma erosão dos valores, graças ao aumento do individualismo e à desintegração das ligações sociais originadas pelo desenvolvimento da divisão do trabalho.
Parsons (1951), que consagrou a existência de quatro subsistemas interdependentes - cultural, político, económico, societal -, remete cada um deles para quatro tipos de valores. O subsistema cultural mantém os modelos valorizados da ação, o subsistema político assegura a função de realização das finalidades coletivas, o subsistema societal assegura a função de integração social dos indivíduos e o económico a função de adaptação (controlo, exploração e transformação do meio ambiente). São, portanto, os sistemas que asseguram a função de reprodução dos valores.
A questão da pertinência dos valores coloca a relação entre os valores (morais, religiosos, políticos, estéticos) e as culturas, na própria medida em que existem relações entre as formas de vida ou as visões do mundo e o quadro de valores que as orientam. Há uma multiplicidade de valores, variando estes conforme as sociedades e as culturas, e também conforme as épocas históricas; por isso se fala da relatividade histórica dos valores. Ora, a pluralidade dos valores é acompanhada também da existência de sistemas de valores relativamente abertos. Novos valores podem sempre vir a integrar um sistema (moral, político, cultural ou religioso), desde que seja assegurada uma coerência mínima entre os valores de um mesmo sistema. Com efeito, uma cultura de valores democráticos, por exemplo, é incompatível com o autoritarismo e o totalitarismo; como uma cultura que reconhece o valor da infância e os direitos da criança é incompatível com a exploração da criança.
Porém, sistemas de valores diferenciados podem coexistir numa mesma sociedade: valores de grupos políticos diferentes, de etnias diversas, de comunidades religiosas diferentes; valores hedonistas que se opõem aos valores do trabalho e da eficácia; os valores da poupança e do património em oposição ao consumismo desenfreado; os valores do ser e da pessoa, em oposição aos valores do ter e do poder financeiro, etc. Esta diversidade de valores pode provocar conflitos, cuja resposta poderá implicar que uma hierarquia de pertinências seja estabelecida. Com efeito, existem conflitos de valores no seio da família (entre as gerações, por exemplo), nas empresas (entre a eficácia económica, o lucro, o melhoramento das condições de trabalho, o serviço à comunidade, etc.), ao nível das argumentações de valores num
tribunal ou nos debates públicos sobre processos judiciais (o respeito devido às vítimas e o direito do culpado à sua defesa, por exemplo), conflitos entre o valor da família e a obrigação do trabalho (conflito que se põe, muitas vezes, às mães que trabalham fora de casa e têm filhos pequenos), etc.
Para além dos aspetos ligados à pluralidade dos valores, assistimos hoje, nas sociedades democráticas contemporâneas, a uma evolução dos sistemas de valores e a uma alteração da sua hierarquia de pertinência, expressas na importância crescente dos novos valores ligados à ecologia, à defesa do meio ambiente e ao novo conceito de desenvolvimento sustentado, dos valores da
solidariedade, da cidadania e da tolerância que orientam hoje um novo tipo de ação coletiva (exercido em termos de voluntariado e/ou por Organizações Não-Governamentais (ONG), como os médicos sem fronteiras, as associações de proteção e defesa das crianças e das mulheres vítimas de maus tratos, as associações de defesa das minorias, do consumidor, de assistência aos doentes com sida, etc.) assim como se assiste a uma evolução dos valores ligados à mundialização que orientam instituições e convenções internacionais.
Parsons (1951), que consagrou a existência de quatro subsistemas interdependentes - cultural, político, económico, societal -, remete cada um deles para quatro tipos de valores. O subsistema cultural mantém os modelos valorizados da ação, o subsistema político assegura a função de realização das finalidades coletivas, o subsistema societal assegura a função de integração social dos indivíduos e o económico a função de adaptação (controlo, exploração e transformação do meio ambiente). São, portanto, os sistemas que asseguram a função de reprodução dos valores.
A questão da pertinência dos valores coloca a relação entre os valores (morais, religiosos, políticos, estéticos) e as culturas, na própria medida em que existem relações entre as formas de vida ou as visões do mundo e o quadro de valores que as orientam. Há uma multiplicidade de valores, variando estes conforme as sociedades e as culturas, e também conforme as épocas históricas; por isso se fala da relatividade histórica dos valores. Ora, a pluralidade dos valores é acompanhada também da existência de sistemas de valores relativamente abertos. Novos valores podem sempre vir a integrar um sistema (moral, político, cultural ou religioso), desde que seja assegurada uma coerência mínima entre os valores de um mesmo sistema. Com efeito, uma cultura de valores democráticos, por exemplo, é incompatível com o autoritarismo e o totalitarismo; como uma cultura que reconhece o valor da infância e os direitos da criança é incompatível com a exploração da criança.
Porém, sistemas de valores diferenciados podem coexistir numa mesma sociedade: valores de grupos políticos diferentes, de etnias diversas, de comunidades religiosas diferentes; valores hedonistas que se opõem aos valores do trabalho e da eficácia; os valores da poupança e do património em oposição ao consumismo desenfreado; os valores do ser e da pessoa, em oposição aos valores do ter e do poder financeiro, etc. Esta diversidade de valores pode provocar conflitos, cuja resposta poderá implicar que uma hierarquia de pertinências seja estabelecida. Com efeito, existem conflitos de valores no seio da família (entre as gerações, por exemplo), nas empresas (entre a eficácia económica, o lucro, o melhoramento das condições de trabalho, o serviço à comunidade, etc.), ao nível das argumentações de valores num
tribunal ou nos debates públicos sobre processos judiciais (o respeito devido às vítimas e o direito do culpado à sua defesa, por exemplo), conflitos entre o valor da família e a obrigação do trabalho (conflito que se põe, muitas vezes, às mães que trabalham fora de casa e têm filhos pequenos), etc.
Para além dos aspetos ligados à pluralidade dos valores, assistimos hoje, nas sociedades democráticas contemporâneas, a uma evolução dos sistemas de valores e a uma alteração da sua hierarquia de pertinência, expressas na importância crescente dos novos valores ligados à ecologia, à defesa do meio ambiente e ao novo conceito de desenvolvimento sustentado, dos valores da
solidariedade, da cidadania e da tolerância que orientam hoje um novo tipo de ação coletiva (exercido em termos de voluntariado e/ou por Organizações Não-Governamentais (ONG), como os médicos sem fronteiras, as associações de proteção e defesa das crianças e das mulheres vítimas de maus tratos, as associações de defesa das minorias, do consumidor, de assistência aos doentes com sida, etc.) assim como se assiste a uma evolução dos valores ligados à mundialização que orientam instituições e convenções internacionais.
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Como referenciar
pertinência de valores na Infopédia [em linha]. Porto Editora. Disponível em https://www.infopedia.ptartigos/$pertinencia-de-valores [visualizado em 2026-06-09 16:11:12].
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