Poder Senhorial: Privilégios e Imunidades
É na transição do século X d. C. para o XI que se verifica o surgimento de senhores detentores de vastos territórios, que usufruem de imunidades.
Tal facto deve-se ao costume mais ou menos generalizado de doar terras - dar préstamos - como recompensa de serviços prestados, uma vez que a moeda cunhada não era muito corrente nem abundante. Esta prática aplicava-se em toda a dimensão da escala social, denominando-se honras a concessão de terrenos pelo rei aos senhores que administravam um território bastante vasto pertencente à coroa.
Estas honras eram a partir de então transmitidas por via hereditária e o termo passou a designar os domínios de senhores da nobreza, ilustrando a sua categoria social. É de sublinhar, contudo, que havia muitas ocasiões em que os administradores de propriedades reais (ou públicas) se apropriavam indevidamente dos terrenos, aproveitando a instabilidade política e social que impedia em bastantes alturas da Idade Média o controlo apertado destes mecanismos de gestão.
Acresce ainda o facto de os senhores menos escrupulosos sobrecarregarem aqueles que viviam nas terras que lhes pertenciam ou naquelas de que tomaram posse (devida ou indevidamente) de taxas e impostos bastas vezes insuportáveis, tendo inclusivamente havido rebeliões por parte dos aldeãos devido à exploração de que eram alvo. Como se aplicavam penas variadas aos que não pagavam os tributos, a apropriação das terras pertencentes a estes últimos por parte dos senhores aumentava ainda mais a área dos seus domínios.
Estes senhores prestavam contas a um superior hierárquico, o conde ou comites, que tão-pouco exercia controlo sobre estes desregramentos, chegando os senhores por diversas vezes a guardar para si as contribuições que lhes eram devidas.
Entre outros direitos - que aliás se foram alterando ao longo dos tempos - dos detentores de domínios senhoriais, contam-se o pleno privilégio sobre moinhos, lagares, casamentos de mulheres fora do âmbito territorial do senhorio em que viviam e sobre o transporte e comércio de artigos.
Ilustrativo de todo este sistema medieval e de muitos outros aspetos da Idade Média que com ele se interligam é a obra historicamente fundamentada Os Pilares da Terra, do escritor Ken Follet.
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