Poemas do Tempo Incerto (1928-1932)
Segundo livro de poemas publicado pelas edições Presença, colige poemas escritos entre 1928 e 1932.
Ressentindo-se da influência de Jules Supervielle, a quem é, aliás, dedicado, Adolfo Casais Monteiro revela ainda a leitura de Fernando Pessoa (cf. "Arte Poética": "Procura sempre aquilo que te ofenda,/ o ritmo sem ritmo, a palavra rude,/ e deixa que outros façam pitagóricos/ equilíbrios de sons, ideais e sentidos./ Procura longe de ti aquilo que não és,/ pois se o encontrares eu juro que é teu,/ que Fernando Pessoa o disse: "fingir é conhecer-se"), num volume em que a liberdade métrica, sem perda de ritmo e sem pôr em causa a distinção entre poesia e prosa, a consciência do fingimento poético, a "incoincidência da alma com o mundo" (LOPES, Óscar - Entre Fialho e Nemésio II, Lisboa, 1987, p. 706) - "Menino das mãos tombadas/ morro de excesso d'erguê-las.." "O meu destino.../ é ser cais duma estação onde nunca param os comboios..." -, o destacam do grupo presencista, aproximando-o das aquisições da modernidade. Comentando os seus primeiros livros de versos (Confusão, Poemas do Tempo Incerto, Sempre e Sem Fim), no prefácio a Versos (1944), considera ainda que Poemas do Tempo Incerto, como o próprio título sugere, corresponde a um momento de indefinição poética, reafirmando, no entanto, a conceção de poesia que estivera na sua génese, nomeadamente a defesa da autenticidade do poema: "À poesia lírica cabe exprimir o que está demasiado dentro do homem, demasiado mergulhado na sua própria carne, para que dele restasse qualquer coisa se o tentássemos explicar ou descrever".
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