poliptoto
É uma figura de retórica, próxima da paronomásia, que consiste na utilização de uma palavra em diferentes flexões (uso de formas verbais em diferentes pessoas, tempos e modos; variações de género ou número no caso dos substantivos) ou derivações (ex: jogar um jogo), mantendo sempre o mesmo radical.
Trata-se de uma figura de repetição que pode parecer traduzir pobreza de vocabulário, mas que tem efetivamente por objetivo reforçar uma ideia, mantendo o fio-condutor do discurso.
"Aquela cativa que me tem cativo
porque nela vivo
já não quer que viva"
(Camões, Redondilhas)
O poliptoto é também um recurso presente nas rimas de jogos infantis:
"Serra madeira
Da ponta da ceira;
Serrar e andar,
Que lá vem o jantar
Para o menino papar.
Serremos, andemos,
Que logo jantaremos."
(Coelho, F.A. 1883. Jogos e Rimas Infantis. Biblioteca de Educação Nacional, Porto: Magalhães e Moniz Editores.)
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