Prática dos compadres
A Prática dos compadres corresponde, como a outra Prática conhecida do autor - Prática das oito figuras-, a uma conversa, cujos interlocutores principais são dois homens e duas mulheres, compadres/comadres entre si.
A partir de um incidente sem importância - o furto de uma capa -, António Ribeiro Chiado traça uma sátira aos costumes do século XVI, referindo nomeadamente o desentendimento e a maledicência entre maridos e mulheres, devido aos maus tratos aos quais estas são sujeitas, e retratando a avareza e a cobiça.
Esta obra representa também um ótimo testemunho etnográfico dos costumes da época, através das descrições das festas natalícias, do hábito de bordar, do gosto pelos jogos de cartas ou até de práticas de feitiçaria.
Em termos estruturais, trata-se de uma conversa com características próprias dos autos, possuindo ação e movimento e recorrendo ao efeito do cómico.
O motivo da conversa surge quando, após a dona da casa se ter apercebido do desaparecimento de uma capa do marido, começa a discutir com a filha e o marido.
No cume da discussão, aparece o Compadre, responsável pelo furto da capa, que os critica por serem tão descuidados com tudo, nomeadamente com a privacidade da vida que estavam a colocar em praça pública, e aconselha-os dizendo: "se queres viver em paz, / tua porta cerrarás". Entretanto, confessa que é o autor do furto e, juntamente com o dono da casa, aproveita para dizer mal das mulheres.
A prática termina com uma partida de cartas e uma conversa mais serena sobre vinhos e festas natalícias.
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