Primeira Revolução Russa
Embora o processo que em 1917 culminou na queda dos Czares na Rússia seja referido habitualmente como "Revolução Russa", podemos nele distinguir pelo menos duas fases distintas, ou, mesmo, duas revoluções, uma no princípio do ano e a outra em outubro ou novembro.
A primeira revolução, iniciada com a revolta de 8 a 12 de março (ou seja, 23 a 27 de fevereiro no calendário juliano, então em uso na Rússia), derrubou a monarquia autocrática imperial, chefiada pelo czar; é a chamada "Revolução de fevereiro (ou março)". Os motivos distantes do processo revolucionário podem descobrir-se nas reformas empreendidas pelo czar Alexandre II (1818-1881); a constituição de governos regionais foi vista como o embrião de um futuro governo (regime) de base parlamentar; a liberalização de certas profissões estimulou a ideia de uma legislação à escala nacional; o fim da servidão estimulou o desejo de uma ampla reforma agrária; as suas reformas educativas, por fim, abriram escolas e universidades a uma juventude das classes não privilegiadas, formando um grupo de jovens radicais revolucionários, que não descartavam o uso da violência como arma para impor os seus pontos de vista. Muitos deles serão os primeiros a criticar a falta de preparação da Rússia para as exigências da guerra moderna, ilustrada pelos desaires e dificuldades do exército nas campanhas da Primeira Guerra Mundial.
A participação russa neste conflito, indesejada pela maioria da população, foi um desastre bem aproveitado pelos descontentes para lançar críticas ao poder. O czar é igualmente censurado por todos os partidos que o acusam de apoiar um governo incompetente e corrupto; acusam-no ainda de dar cobertura aos abusos pessoais dos grandes favoritos do Império; acima de todos está o "homem santo", o homem mais temido da Rússia, o lendário Grigori Iefimovitch "Rasputine".
A influência que exerceu na família real fez dele o verdadeiro governante do império; mas um governante tirânico que todos os russos desejam ver liquidado. A crise social, económica e política anunciava que o absolutismo russo estava a chegar ao seu fim.
Em março de 1917 uma manifestação era convocada em Petrograd (atual São Petersburgo) para festejar o Dia Internacional da Mulher; esta manifestação, no entanto, rapidamente se transformou num motim; num motim contra a falta de alimentos, sobretudo de pão. A ele aderiram vários regimentos amotinados e, na sua sequência, o poder ficou nas mãos de um governo provisório formado por figuras de primeiro plano da Duma (Parlamento russo).
Isolado e sem apoio, o czar Nicolau II viu-se obrigado a abdicar. O seu filho primogénito foi excluído da sucessão ao trono devido à sua saúde bastante frágil e o seu irmão, o grão duque Miguel, virá a recusar a Coroa que lhe será oferecida por uma assembleia constituinte, democraticamente eleita; a dinastia Romanov, velha de 300 anos, chegava ao fim.
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