Profetas
Entre os séculos IX e VIII a. C. tem lugar o aparecimento dos maiores profetas do Antigo Testamento. É através deles que esta parte da Bíblia alcança o seu auge.
O sentido da palavra profeta é o de "porta-voz", isto é, mensageiro encarregado por Deus para dar a conhecer a mensagem divina e manifestar por meio de ações a Sua vontade. Portanto, eram investidos diretamente por Deus e tinham uma missão essencialmente espiritual no seio do povo, agindo, por exemplo, como guias para os Israelitas. Eram frequentemente atingidos por visões ou vozes que lhes falavam e que depois descreviam. Na maioria das vezes a mensagem era percebida através da iluminação da mente do profeta.
É a partir do profeta Samuel que se verifica um aparecimento mais frequente destes homens enviados por Deus, dos quais se conhece atividade por extensos anos (do ano 1050 a 450 a. C.). Este longo período é dividido noutros dois: os séculos até 750 a. C. são marcados pela atividade dos profetas de ação, dedicando-se exclusivamente à pregação, sem, no entanto, terem deixado qualquer obra escrita; nos séculos seguintes surgem os profetas cujas mensagens já foram escritas, assumindo uma feição literária, muitas vezes sob forma poética.
Os profetas escritores, cujos escritos entraram na classificação de livros sagrados, dividem-se, por sua vez, em Profetas Maiores e Profetas Menores. Os primeiros são, por ordem cronológica, Isaías, Jeremias, Ezequiel e Daniel; do segundo fazem parte os profetas Oséias, Joel, Amós, Abdias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias.
Os grandes objetivos dos profetas eram a pregação e o zelo pela pureza do monoteísmo da religião de Javé (Deus, em hebraico); o alerta para a manutenção dos bons costumes de acordo com a lei divina; a intervenção em questões sociais; o anúncio de calamidades como forma de castigo de Deus pelo não cumprimento das Suas disposições e a revelação de que o arrependimento conduziria a um futuro melhor e à salvação.
Pelas palavras dos profetas toma forma a revelação da chegada do Messias, descendente de David, salvador da Humanidade e restaurador da paz e da justiça. De facto, esta foi a mensagem mais importante veiculada pelos profetas, sendo a base teológica da religião judaica e ponto de partida do Cristianismo.
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