realidade
Desde o século VI a. C. que os pensadores se questionam sobre se a realidade é o que se apreende pelos sentidos ou se tudo não passa de uma ilusão. Os idealistas acham que há coisas reais independentes da consciência. Os ceticistas, por seu lado, dizem que não se pode ter a certeza de nada.
Para Platão, a verdadeira realidade é poder procurar num mundo inteligível o mundo das ideias, ou seja, o fundamento de tudo o que existe no mundo sensível e que permite o conhecimento.
A realidade deve apresentar as coisas tal como elas são e não como nos surgem aparentemente. Opõe-se à aparência, pois a aparência é falsa, já que os sentidos são enganadores, mas, no fundo, a aparência é a única forma que o ser humano tem de conhecer o que se poderá chamar de realidade.
Segundo Descartes, as ideias que temos das coisas e do mundo correspondem à realidade desse mundo e chega a esta afirmação pela demonstração da existência de Deus, ou seja, como garantia desta evidência recorre a Deus. Uma vez que Deus garante o conhecimento, este conhecimento adequa-se ao real e, assim, pode-se conhecer o real tal como ele se apresenta aos nossos sentidos, pois tem-se a garantia divina.
Existe uma impossibilidade de conhecer os objetos em si mesmos e que a reflexão kantiana questionou, concluindo que a realidade, para o ser humano, é a maneira pela qual as coisas nos surgem. É de ordem fenomenal, uma manifestação sensível da coisa sem qualquer carácter de transcendência. Para Kant, é impossível para o ser humano conhecer a realidade em si mesma, esta é para o homem incognoscível, não está ao nosso alcance, por ser sempre influenciada pelos dados dos sentidos e pelas sensações que estes nos causam.
A realidade é o "númeno" e aquilo a que temos acesso é o "fenómeno".
A realidade afeta os nossos sentidos e vai formar impressões sensíveis que vão ser organizadas pelo homem através das intuições empíricas. O ser humano conhece os fenómenos e não a coisa em si. O fenómeno é o real para o homem e a coisa em si, o "númeno", é a realidade.
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