Rómulo Augústulo
Rómulo (475-476 d. C.), o "pequeno Augusto" (Augustulus), foi entronizado em Ravena como imperador "fantoche" por seu pai, Orestes, um patrício romano que abdicou do poder em nome de seu filho e que era o verdadeiro governante do Império, principalmente nos assuntos externos, numa altura extremamente difícil e muito delicada, dada a decadência das instituições romanas e a queda uma a uma das províncias dominadas por Roma há mais de seis séculos.
Muitos foram os problemas que se depararam a Augústulo no seu reinado, mas essencialmente dois houve que foram determinantes para o seu fim e do próprio Império: a presença de inúmeros soldados bárbaros no seio das tropas romanas e nos seus lugares de comando, o que acarretou a perda gradual da capacidade militar e organizativa - e logo de manutenção do limes (fronteira) e da pax romana - das legiões; e a falta de soldo para pagar aos soldados, principalmente aos caros e exigentes mercenários.
Augústulo emitiu ainda moeda, em Milão e Roma, e talvez Ravena, para além de Arles, na Gália, naquilo que foi o estertor do domínio romano nesta sua antiga e valiosa província. Mas um problema surgiu também na cunhagem de moeda por Rómulo Augústulo: o seu nome era comprido demais para se gravar nas moedas, e a prata e ouro escassos para aumentar o peso de cada sestércio. Uma outra razão pode ser convocada para explicar o isolamento e fraqueza do reinado de Rómulo: a ausência de reconhecimento do seu título imperial pelo imperador do Oriente, Zenão, que nunca veio por isso em seu socorro em altura alguma.
Essa presença de tropas bárbaras nas legiões romanas criou situações de insubmissão e rebelia, como sucedeu no fim da primavera de 476, quando estes grupos (Hérulos, Turcilingos, etc.) desrespeitaram ordens de Orestes e abandonaram em peso o exército romano, colocando-se ao serviço de Odoacro e dos Hunos, o que se revelou fatal para Roma. Este rei bárbaro logo avançou para Itália, a 23 de agosto, segundo a maior parte das fontes coevas. Orestes foi rapidamente derrotado (em Piacenza, no Norte de Itália) e assassinado. A marcha de Odoacro em direção a Roma foi célere e em meados de setembro entra em Roma, depõe Rómulo e torna-o seu prisioneiro, exilando-o. A sua vida foi poupada, talvez devido à sua pouca idade. Foi-lhe ordenado que fosse viver no exílio perto de Nápoles, no castelo de Luculus, com sua mãe, recebendo um generoso dote vitalício de Odoacro.
O nome de Rómulo Augústulo encerra uma trágica e sardónica ironia: tem o nome do primeiro rei de Roma e seu fundador, Rómulo, e o nome de Augusto, o primeiro imperador, ambos duas figuras empreendedoras, determinadas, fortes e dominadoras, tudo aquilo que este "Augustozinho" (Augustulus, como lhe chacoteava o povo) nunca fez ou não pode fazer. Por ironia da história e do destino, Roma chegava ao fim.
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