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Russificação do Báltico
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O reinado do czar Pedro I, o Grande (1672-1725), representou para a Rússia uma era de expansão territorial, a construção de um verdadeiro império. É de realçar o cuidado e o empenho que colocou no desenvolvimento de uma poderosa marinha de guerra; conta-se que terá mesmo trabalhado como carpinteiro nos estaleiros navais. Durante o seu reinado iniciou uma série de grandes aquisições territoriais. Um dos maiores czares da Rússia, Ivan, o Terrível, havia tentado, sem sucesso, abrir um acesso russo ao Báltico. Pedro I retomará esse projeto; para isso vai, como se referiu, construir uma marinha de guerra e, de seguida, organiza o exército à maneira europeia. O grande obstáculo à expansão russa em direção ao Báltico era a Suécia; e é contra ela, precisamente, que vai travar uma dura campanha militar que começa mal para as suas armas. O primeiro grande combate desta guerra, A Grande Guerra do Norte (1700-1721), é o cerco de Narva (1700), atualmente na Estónia, que fracassa; no entanto, a Suécia não soube explorar esta derrota e permitiu que os russos recuperassem, reorganizando as suas forças; assim, Pedro volta à carga, lançando várias campanhas contra bases suecas na Livónia; um dos factos mais importantes é o sucesso do estabelecimento russo na embocadura do Neva, com a fundação da cidade de São Petersburgo (1703); a determinação colocada na criação da cidade está bem patente nos números: no primeiro ano, morreram mais de 100 000 pessoas na edificação da cidade e trabalhou-se sempre debaixo de péssimas condições. São Petersburgo tornou-se a nova e resplandecente capital da Rússia (oficialmente em 1714, quando para aí se mudou o governo, proveniente de Moscovo), instalada em território tomado aos suecos; numa década surgiram cerca de 35 000 edifícios em pedra (os construtores das tradicionais casas de madeira russas arriscavam-se a ser banidos desobedecendo a esta imposição), muitas delas desenhadas por famosos arquitetos estrangeiros; aquando da sua morte, em 1725, a cidade contava com mais de 75 000 habitantes; nos 150 anos que se seguiram, particularmente durante o reinado de Catarina, a Grande, São Petersburgo foi o foco da "idade de ouro" da Rússia, atraindo escritores, bailarinos, compositores e cientistas.
Entretanto, prosseguia a guerra e o avanço russo era imparável; em 1709, os exércitos de Pedro esmagaram as tropas suecas em Poltava e Carlos IX teve de fugir para a Turquia onde se refugiou e contou com a proteção otomana, que conseguiu travar o czar russo na Batalha de Pruth (1711); no entanto, o adversário nórdico estava já à beira da derrota e pediu tréguas. Assim, pelo Tratado de Nystad (30 de agosto de 1721), a Rússia garantiu a posse da Livónia, Estónia, Ingria, parte da Carélia (Finlândia) e várias ilhas do mar Báltico. Com o domínio do Norte, há também mudanças na filosofia de poder russa: a velha conceção bizantina de onde resultou o título czar é alterada para a conceção latina de imperador; quando, em 1721, Pedro foi formalmente proclamado imperador, o Estado moscovita tornou-se no Império Russo.
A expansão no Báltico prosseguirá, com muito menos aparato é certo, durante o reinado da sua filha mais nova, Isabel Petrovna (imperatriz entre 1741-1762), com a Rússia a envolver-se numa nova guerra com a Suécia (1741-1743), garantindo mais uma porção da Finlândia.
Catarina II, imperatriz da Rússia
No século XX, assistiu-se a uma nova "campanha" de russificação do Báltico.
A assinatura do Pacto Germano-Soviético (1936) assinalou uma fase de desenvolvimento da União Soviética. A ocupação da zona leste da Polónia iniciou uma série de anexações de territórios e representou uma nova fase expansionista da política da União Soviética. A anexação da Polónia foi seguida pelo domínio da Estónia, a Lituânia e a Letónia. No outono de 1939, os soviéticos reclamam da Finlândia a entrega de parte do istmo de Carélia para aí estabelecer uma base naval. A recusa de Helsínquia levou a uma intervenção militar soviética. A resistência da Finlândia foi impotente perante o poderio do Exército Vermelho e, após uma não declarada Guerra Russo-Finlandesa (terminada a 12 de março de 1940), os soviéticos conseguem satisfazer as suas pretensões em Carélia e o controlo do porto de Vyborg, para além de outras vantagens económicas e estratégicas.
Ao longo desse ano de 1940 a expansão soviética continua. Em junho, a URSS exigiu liberdade de circulação das suas tropas e a formação de governos pró-soviéticos na Letónia, Lituânia e Estónia. Sem esperar qualquer resposta, favorável ou não, o Exército Vermelho ocupou esses países. De seguida foram estabelecidos governos-fantoches dominados pelos russos e foram eliminados todos os elementos antissoviéticos. Por decretos do Soviete Supremo da URSS, de 1 e 8 de agosto, os três estados foram anexados como repúblicas da União.
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Como referenciar
Porto Editora – Russificação do Báltico na Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora. [consult. 2024-05-23 10:46:39]. Disponível em
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