Sacro Império Romano-Germânico e o Poder Temporal
Da subserviência ao Império, a Igreja passará à emancipação religiosa, detendo o poder espiritual, e depois ao "ataque" político, visando o poder temporal.
Desde Carlos Magno, papa e imperador tinham conceções diferentes da relação entre ambos os poderes.
Para Otão I e seus sucessores, a dignidade imperial deve-se às suas vitórias, à sua eleição pelos guerreiros e pela alta nobreza. A sagração não é mais do que um mero reconhecimento da Igreja. O Império considerava-se mesmo superior à dignidade papal, pois protegia a Igreja. Assim o exemplifica Otão que, depois da sua sagração, promulga um édito segundo o qual é o imperador que controla a eleição do Bispo de Roma. Não poderá qualquer papa ser consagrado sem antes ter jurado fidelidade ao imperador.
Até 1059, na prática, será o Império a nomear o papa. Este, por seu lado, e apoiando-se em Sto. Ambrósio, considera o Império "no interior da Igreja e não acima dela", porque todo o poder vem de Deus e a Ele tudo está submisso. O papado, considerando-se criador do Império, defende que o bispo de Roma deverá sagrar o imperador antes da eleição e aclamação pelos nobres e guerreiros.
Esta guerra em torno do poder temporal e do espiritual manteve-se sempre acesa na Idade Média. Na prática, porém, os imperadores continuaram a ser eleitos pelos grandes da Germânia. Depois, eram coroados "reis dos Romanos", isto é, da Germânia, Borgonha e Itália, em Aix-La-Chapelle. Só então o papa concordava ou não com a coroação imperial e a aposição do título de Augusto em Roma. O rei dos Romanos tinha assim que se deslocar a esta cidade, empreendendo paralelamente negociações, às vezes complicadas, ou mesmo enveredando por autênticas guerras, como na "Querela das Investiduras" (1076-1122) e na "Questão do Sacerdócio e do Império" (1157-1250). Frederico Barba-Roxa, por exemplo, foi eleito em 1152 e só três anos depois foi sagrado imperador, tal como aconteceu com Frederico II Hohenstaufen (1215 e 1220).
Cerca de 1250, a ideia imperial sobrevive na opinião do povo, mas sem correspondência alguma na realidade política. O papa, apoiado quer nos Normandos do Sul da Itália e Sicília, quer nas comunas italianas ou em príncipes germânicos, esvazia a função imperial do seu poder, mantendo-se também a independência de Roma. Por isso, os Estados Pontifícios sobreviverão até 1870. Porém, a sagração imperial desaparecerá com Frederico III, o último imperador coroado em Roma, em 1452.
Desde Carlos Magno, papa e imperador tinham conceções diferentes da relação entre ambos os poderes.
Para Otão I e seus sucessores, a dignidade imperial deve-se às suas vitórias, à sua eleição pelos guerreiros e pela alta nobreza. A sagração não é mais do que um mero reconhecimento da Igreja. O Império considerava-se mesmo superior à dignidade papal, pois protegia a Igreja. Assim o exemplifica Otão que, depois da sua sagração, promulga um édito segundo o qual é o imperador que controla a eleição do Bispo de Roma. Não poderá qualquer papa ser consagrado sem antes ter jurado fidelidade ao imperador.
Até 1059, na prática, será o Império a nomear o papa. Este, por seu lado, e apoiando-se em Sto. Ambrósio, considera o Império "no interior da Igreja e não acima dela", porque todo o poder vem de Deus e a Ele tudo está submisso. O papado, considerando-se criador do Império, defende que o bispo de Roma deverá sagrar o imperador antes da eleição e aclamação pelos nobres e guerreiros.
Esta guerra em torno do poder temporal e do espiritual manteve-se sempre acesa na Idade Média. Na prática, porém, os imperadores continuaram a ser eleitos pelos grandes da Germânia. Depois, eram coroados "reis dos Romanos", isto é, da Germânia, Borgonha e Itália, em Aix-La-Chapelle. Só então o papa concordava ou não com a coroação imperial e a aposição do título de Augusto em Roma. O rei dos Romanos tinha assim que se deslocar a esta cidade, empreendendo paralelamente negociações, às vezes complicadas, ou mesmo enveredando por autênticas guerras, como na "Querela das Investiduras" (1076-1122) e na "Questão do Sacerdócio e do Império" (1157-1250). Frederico Barba-Roxa, por exemplo, foi eleito em 1152 e só três anos depois foi sagrado imperador, tal como aconteceu com Frederico II Hohenstaufen (1215 e 1220).
Cerca de 1250, a ideia imperial sobrevive na opinião do povo, mas sem correspondência alguma na realidade política. O papa, apoiado quer nos Normandos do Sul da Itália e Sicília, quer nas comunas italianas ou em príncipes germânicos, esvazia a função imperial do seu poder, mantendo-se também a independência de Roma. Por isso, os Estados Pontifícios sobreviverão até 1870. Porém, a sagração imperial desaparecerá com Frederico III, o último imperador coroado em Roma, em 1452.
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Como referenciar
Sacro Império Romano-Germânico e o Poder Temporal na Infopédia [em linha]. Porto Editora. Disponível em https://www.infopedia.ptartigos/$sacro-imperio-romano-germanico-e-o-poder [visualizado em 2026-06-08 22:34:46].
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