sensibilidade (filosofia)
Para Kant, é mediante a sensibilidade que os objetos são dados e é pelo entendimento que são pensados.
O papel importante conferido à sensibilidade tem a ver com a crítica kantiana do racionalismo dogmático e do empirismo.
Ambos devem ser superados porque são conceções unilaterais do conhecimento que reconhecem uma só fonte de conhecimento: ou o entendimento ou a sensibilidade.
Ao rejeitar que a sensibilidade ou conhecimento sensível seja confuso e indistinto e o conhecimento intelectual claro e distinto, ao negar que a diferença entre sensibilidade e entendimento seja de grau e não de natureza, Kant dá a cada faculdade o seu estatuto próprio e sublinha a decisiva importância de cada uma no processo cognitivo.
Kant distingue dois elementos na sensibilidade: a matéria, ou seja, o conjunto das impressões sensoriais que o sujeito recebe passivamente do exterior; e a forma, as intuições puras a priori que vão organizar a realidade, composta pelo espaço e pelo tempo, as estruturas através dos quais o sujeito se representa.
Os limites ao conhecimento, no plano da sensibilidade, começam por ser estas intuições puras a priori, o espaço e o tempo. O espaço e o tempo são condições não empíricas que tornam possível a intuição empírica, isto é, a receção das impressões sensíveis do meio, através dos sentidos. A sensibilidade é a matéria bruta das impressões sensoriais, enquadrada pelo espaço e pelo tempo que, mais tarde, organizado por estes, vai ser o conteúdo das intuições empíricas. A sensibilidade é a faculdade de ter intuições, de poder intuir os dados da realidade e receber impressões sensíveis.
A sensibilidade é, assim, a recetividade do sujeito ao meio e a forma como esse meio ou objeto pode afetar o sujeito. Desta forma, a sensibilidade é a condição de possibilidade do exercício do entendimento e fornece a matéria que vai ser aplicada no entendimento.
No plano da sensibilidade já existe subjetividade a priori do conhecimento, não o que é o objeto em si, mas o que ele é para nós. O primeiro limite ao conhecimento é a nossa sensibilidade e os seus princípios - espaço e tempo, noção prévia à experiência.
Para Leibniz, Hume e Condillac e, mais tarde, para a corrente fenomenológica, a sensibilidade surge como o lugar da sua constituição e já não como marca da fragilidade e da falibilidade do homem, mas como sinal da relação do homem com o mundo.
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