símbolo (sociologia)
A etimologia grega diz que a palavra se refere ao sinal de reconhecimento de duas pessoas, que possuem, cada uma delas, pedaços de um objeto quebrado, que serve para, quando se juntam, estabelecer uma identidade. Não sendo um sinal convencional, como os signos matemáticos e linguísticos, o símbolo vive da expressão da sua iconicidade e dos afetos que lhe estão associados. Ele substitui e compensa uma realidade ausente, mas compreensível dentro de uma determinada cultura. É próprio do símbolo ter uma multiplicidade de significados e entrar em várias dimensões do social.
A sua ritualização acentua a versatilidade dos significados e, porque implica sentimentos e afetos, estabelece espaços de identidade, na medida em que se reveste de significados diferentes conforme o povo, a cultura e as circunstâncias históricas.
Dar sentido aos papéis e estatutos desempenhados num cerimonial era a função do símbolo, segundo E. Durkheim e M. Mauss. Já para M. Leenhardt e M. Griaule, é a ordem cósmica e social que uma cultura enuncia por metáfora nos seus sistemas simbólicos de mitos e rituais. Com os estudos semióticos, procurou-se ver a coerência de sentido à volta de signos arbitrários e definidos. O facto do símbolo nos remeter para um imaginário desligado da realidade fornece um sentido aos acontecimentos ritualizados e permite associações na comunicação e na interação, permitindo unidades significantes.
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