Sousa Neto
Representante da administração pública, Sousa Neto surge em Os Maias, de Eça de Queirós, como figurante e personagem-tipo da burocracia. Sousa Neto é "Oficial superior de uma grande repartição do Estado", "Da Instrução Pública" (Cap. XII), mas revela falta de cultura e mediocridade intelectual. O narrador, ironicamente, apresenta-o "cheio de curiosidade inteligente" a perguntar a Carlos da Maia se "em Inglaterra havia também literatura".
Amigo e próximo do Conde de Gouvarinho, quando não conseguia argumentar, por falta de conhecimentos, Sousa Neto falava "do alto da sua considerável posição burocrática", dizendo, ser seu costume "não entrar nunca em discussões, e acatar todas as opiniões alheias, mesmo quando elas sejam absurdas..." (Cap. XII). Provocado por Ega, não é capaz de ter um diálogo consequente, quer devido à falta de conhecimentos sobre personagens e temas da época como Proudhon e o socialismo utópico, quer por formação preconceituosa e ignorância que o leva a afirmar (acerca das "páginas de Proudhon sobre o amor") que não sabia "que esse filósofo tivesse escrito sobre assuntos escabrosos".
Eça de Queirós procura com personagens como Sousa Neto simbolizar a degradação na instrução pública, demonstrar a superficialidade e a falta de cultura dos representantes da Administração do Estado.
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