sub-rendimento
As modernas sociedades ocidentais apoiam toda a sua estrutura social e profissional num regime de educação formal que tem um papel decisivo nas oportunidades de vida e trabalho dos seus elementos. Os diplomas estão na base da mobilidade social e do sucesso profissional, sem os quais os cidadãos não têm hipótese de conseguir o estatuto ou o nível económico que pretendem.
Muitos governos das democracias ocidentais iniciaram medidas várias que tentavam criar a igualdade de oportunidades na educação para as classes trabalhadores relativamente às classes médias. Mesmo assim, os estudantes das classes trabalhadoras continuaram a partilhar um nível significativo de sub-rendimento escolar apesar de novos esforços terem sido levados a cabo no sentido de tornar fácil o acesso à escola e à qualidade da educação para todos.
Uma das explicações para o fenómeno é de que as crianças provenientes das classes trabalhadoras já estão em desvantagem antes de entrar na escola pelo facto de terem uma bagagem cultural inferior à dos seus colegas da classe média, além de as escolas não proporcionarem uma compensação para a educação extra-escola. Outras razões apontadas prendem-se com a atitude da escola, em geral, e dos professores, em particular, relativamente aos estudantes de famílias de classes trabalhadoras, que partem do princípio, em termos de transferência de oportunidades, de que essas crianças apresentarão níveis de sub-rendimento, o que acaba, por indução e numa espécie de profecia autocumpridora, por se tornar realidade. Existem correntes que defendiam a inferioridade genética predestinada das crianças das classes trabalhadoras, uma espécie de "racismo social" semelhante ao "racismo científico", que baseia a inferioridade intelectual de certas etnias nas características genéticas. A questão do sub-rendimento escolar persiste como um fenómeno ainda nas comunidades étnicas, dado que para além de fazerem parte de uma classe trabalhadora fazem parte de culturas diferentes com tradições e línguas diversas.
Como a estrutura das escolas das sociedades ocidentais está normalmente organizada segundo regras e valores ocidentais, torna-se mais difícil para crianças com uma cultura e, por vezes língua, diferente adaptarem-se como as crianças de etnia ocidental que estão perfeitamente inseridas na sua sociedade. Recentemente, o termo sub-rendimento tem vindo a ser substituído pelo de desvalorizado.
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