Um Dia de Vida. Peça em 2 partes e 16 quadros
Peça de Costa Ferreira levada à cena pela primeira vez pela Companhia de Teatro Nacional Popular, no Teatro da Trindade, em janeiro de 1958.
A peça apresenta o desespero de um homem que a fortuna fez descer de patrão a desempregado, acompanhando-o ao longo do dia em que pela primeira vez teve fome e não conseguiu sustentar a sua família.
O tema central não é, porém, a sua carência, mas a forma como tenta ocultá-la de todos os que o rodeiam, enredando-se em mentiras através das quais tenta encobrir uma situação de que se envergonha. No prefácio à segunda edição da peça, em 1969, o autor manifesta uma certa deceção pelo facto de o público se ter comovido com uma personagem que, por equívoco, tomaram por um herói positivo quando, na verdade, o autor não pretendia louvar "preconceitos de classe", "inibições de pequenos burgueses", mas mostrar como "ainda há hoje mais homens, nesta sociedade de competição que aspira a ser tecnocrática de consumo, que [...] sentem a vergonha de ser pobres, a vergonha de ter falhado nos negócios e que tendo a coragem da fome não ousam assumir abertamente a posição social de vítimas" (FERREIRA, Costa - "Impressões Atuais do Autor", in Um Dia de Vida, Lisboa, 1969).
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