voyeurismo
O voyeurismo envolve o ato de observar indivíduos, sem estes suspeitarem que estão a ser observados. Normalmente, as pessoas observadas estão nuas, a despirem-se ou em atividade sexual. O ato de observar serve a finalidade de obter excitação sexual e geralmente não é tentada qualquer atividade sexual com a pessoa observada. Esta situação constitui a forma exclusiva de atividade sexual do indivíduo que observa.
Do ponto de vista psicológico, uma perversão é o desvio em relação ao processo sexual normal, ou seja, existe perversão numa situação em que um sujeito só sinta prazer sexual de outra forma que não a considerada via normal. No caso do voyeurismo, um indivíduo retira prazer ao ver alguém. Do ponto de vista psicanalítico, o voyeurismo é uma pulsão ativa e a finalidade é ver e ser visto. O voyeur sofre de desejos exibicionistas inconscientes. Segundo Freud, é a face oposta do exibicionismo. Envolve uma violação de privacidade de um individuo, é considerado um trunfo agressivo, mas envolvido de secretismo, sobre uma figura feminina ou em alguns casos, masculina.
Fenichel, em 1945, vinculou as tendências voyeuristas à cena primordial infantil, na qual a criança vê ou ouve as relações dos pais. Essa experiência traumática precoce poderia provocar a ansiedade na criança e levá-la a repetir a cena, quando adulta, numa tentativa de dominar ativamente o trauma que experimentou passivamente. Fenichel identificou também uma componente de agressividade no olhar, como se se tratasse de um deslocamento da culpa do desejo de ser diretamente destrutivo em relação às mulheres.
Mitchell, em 1988, observou que exibicionismo e voyeurismo captam uma qualidade essencial típica de todas as perversões - "uma dialética entre superfície e profundidade, entre o visível e o secreto, entre o disponível e o proibido".
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