Voz Arremessada ao Caminho
O volume de estreia de Armindo Rodrigues, Voz Arremessada ao Caminho, identificou-o com o ideário neorrealista, uma opção literária que se solidarizava com uma opção existencial determinada pelo compromisso com a ação e com a transformação política e social. Esse empenhamento é visível sobretudo na parte intitulada "Combate", onde compõe um grito de revolta e de esperança, de crença na fraternidade (cf., "Exaltação", "Comício"), e onde, numa alusão à publicação que se opusera à estética neorrealista, dá um novo sentido à palavra "Presença": "Viver [...] É estar presente no mundo e querer / compreender cada vez melhor/ o destino dos homens. / É estar presente e querer / ser um bocado do mundo". Mas esse enveredar por um "Caminho concreto" não deixa de se conjugar com uma certa inquietação existencial, manifestada na procura de si e do seu caminho, na tentativa de "compreender o que sou". A poesia exclamativa, irreverente, com que se revela Armindo Rodrigues, conjuga-se, pois, em certa medida, com os moldes ditos "presencistas", quer por um diálogo voluntário ou involuntário com Régio ("O Meu Caminho é por Ali", "erguem-se em mim vendavais"), quer por uma especial atenção ao burilamento do verso, quer ainda pela integração da herança poética de Pessoa ipse, no desdobramento do eu ou no escutar da melodia da infância. Indiciando uma tendência que se desenvolverá ao longo da sua extensa criação poética, a originalidade desta primeira coletânea reside na conciliação entre a valorização do eu, do seu autoconhecimento, e o incitamento para a ação coletiva.
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Como referenciar
Voz Arremessada ao Caminho na Infopédia [em linha]. Porto Editora. Disponível em https://www.infopedia.ptartigos/$voz-arremessada-ao-caminho [visualizado em 2026-06-07 21:22:51].
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