Yashar Kemal
Escritor turco, Yasar Kemal Gökçeli nasceu em 1922, em Adana, e morreu em 2015, em Istambul.
Oriundo de uma família que havia percorrido a Turquia a pé, desde o extremo oriental do país até às planícies da Anatólia, junto à cordilheira do Taurus, cresceu em maior desafogo do que os pais, já que estes haviam conseguido estabelecer-se como prósperos proprietários rurais.
Não obstante um dia, quando contava apenas cinco anos de idade, foi pela mão do pai até à mesquita quando esta foi atacada. O pai foi assassinado à frente do filho, que conseguiu escapar, não sem ter perdido uma vista e contraído uma gaguez que durou bastantes anos, e que talvez tenha contribuído para que Kemal se procurasse exprimir pela palavra escrita.
Deu início aos seus estudos em 1931, e abandonou a escola ao fim de dois anos de ensino secundário. Começou então uma série de trabalhos precários, como jornaleiro, capataz da construção civil, administrativo até chegar a professor substituto.
Nestas funções teve que percorrer a região onde nasceu e, apaixonado pelas tradições orais populares, organizou uma recolha de folclore turco que constituiu o seu primeiro livro, publicado em 1943. Contribuiu também para pequenas publicações periódicas com contos e poemas. Mais significativamente, pôs a sua arte ao serviço dos mais desfavorecidos, ao deambular pelas aldeias como escritor de petições públicas, munido de uma máquina de escrever que comprara com as suas poupanças.
Aborrecendo assim os poderes políticos no governo, Kemal foi acusado de propagar ideais comunistas, posto em prisão preventiva e absolvido alguns meses mais tarde.
Mudando-se então para Istambul, começou a trabalhar, primeiro como repórter, logo como colunista e redator principal para um dos jornais diários de maior tiragem do país, assinando os seus artigos com o pseudónimo Yashar Kemal.
Em 1952 casou com Thilda Serrero, com quem teve um filho, e que viria a ser a principal tradutora da sua obra para a língua inglesa. Nesse mesmo ano publicou Sari Sicak e em 1955 seria a vez da obra que o consagrou como escritor, com o título Ince Memed, e que seria traduzida para a língua inglesa em 1961. No romance, Kemal conta a história de um rapaz de nome Ince Memed que foge da sua aldeia oprimida pela tirania e que, crescendo como jovem corajoso, luta pelos direitos da população rural, a quem dá um bom exemplo de solidariedade.
Em 1960 publicou Ortadirek, considerado pela crítica como a sua melhor obra. Eleito membro do Comité Central do Partido Trabalhista da Turquia na década de 60, Kemal passou a editar um semanário de teor marxista, o que o levou novamente à prisão em 1966, movendo a opinião pública mundial a apelar para a sua libertação.
Foi aprisionado mais duas vezes, uma em 1971 e outra em 1995, por opiniões políticas e por defender os direitos da minoria curda na Turquia.
Foi galardoado com vários prémios literários, entre os quais o Varlik, em 1956, o do Festival Internacional do Teatro, em 1966, o Cono del Duca, em 1982 e o Prémio para a Paz da Associação de Livreiros da Alemanha.
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