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Quando a Natureza e o Crime se fundem, acontece uma Morte no Parque
Morte no Parque tem como pano de fundo o magnífico Parque de Serralves, no Porto. É na tranquilidade deste parque que decorre uma residência literária com seis escritores de gerações diferentes. Contudo, essa tranquilidade é inesperadamente abalada com a descoberta de um cadáver…
Foi com este ponto de partida que comecei a caminhar por esta história, a sexta da série protagonizada pelo Inspetor Bruno Saraiva. Depois das caves de Vinho do Porto, optei por um cenário igualmente emblemático desta cidade. Visitei o parque quatro vezes durante a escrita, e tal é a sua dimensão e beleza, que a cada visita fui descobrindo novos recantos. Como não nos deslumbrarmos com todos aqueles jardins, árvores, plantas, lagos, que nos transportam para uma dimensão de beleza apaixonante?
É um lugar verdadeiramente inspirador e ao qual apetece sempre voltar. O difícil foi selecionar as zonas do parque que iriam figurar na história, e quais teria de deixar de fora. Apeteceu-me incluir todas, mas são tantas, que percebi que teria de fazer uma seleção.
Escrever este livro foi, até agora, o processo mais entusiasmante que vivi, e a responsabilidade disso deve-se a este cenário idílico e ao leque de personagens que o atravessam. O núcleo principal é composto por escritores, e deu-me particular gozo construí-los e desenvolvê-los. Li várias entrevistas a autores de idades diferentes e com percursos bastante distintos, e sustentei-me na minha criatividade para compor estas seis personagens que vão até Serralves à procura de silêncio e concentração para escrever. E de outras coisas, talvez…
É uma história sobre o ofício da escrita e as diferentes formas com que ele é vivido, e aqui encontramos também uma multiplicidade de crimes. Há um homicídio que desencadeia a investigação principal, e que trará ao de cima muitas verdades inconvenientes. E dolorosas. E porque um livro policial não vive apenas de uma investigação da Polícia Judiciária, também encontrarão narrativas secundárias (mas relevantes) ligadas à condição humana, e que poderão – ou não – estar relacionadas com o homicídio.
Esta narrativa abre espaço para várias reflexões, e não apenas sobre a escrita e os livros. Escrevo de forma a que as minhas histórias façam boa companhia aos leitores, cumprindo essencialmente uma função lúdica. Mas acredito que também podemos lançar sementes que façam as pessoas refletir, questionar e criar empatia.
Espero que a Morte no Parque seja uma ótima leitura para todos!
Lourenço Seruya
