Agripina (Menor)

Dita Agripina Menor, nasceu em 15 d. C. e faleceu em 59 d. C. Sua mãe era Agripina Maior e seu pai Germânico, ambos descendentes de famílias importantes e tradicionais em Roma. De seu verdadeiro nome Júlia Agripina, foi designada pelo imperador Tibério como esposa de Cneu Domício Aenobarbo no ano de 28, ainda com treze anos, portanto, mas já em idade de casamento para os costumes romanos.
Durante o governo de seu irmão, o imperador Caio (Gaio), dito Calígula, o seu nome, como sucedia com as irmãs dos titulares do Império, surgia sempre associado ao do soberano romano nas fórmulas de voto e de juramento. Mas apesar do parentesco, não evitou o exílio a que foi votada pelo irmão em 39 por ter sido associada à conspiração de Lentulo Getúlico, que foi executado às ordens do imperador. Foi chamada novamente a Roma por Cláudio, que a reabilitou socialmente. Tendo ficado viúva de Cneu Domício Aenobarbo, de quem teve Lúcio Domício Aenobarbo, ou Nero, a jovem Agripina, então desprovida da fortuna que possuía, não conseguiu casar-se com Galba, detentor de grande fortuna e prestígio social. Apostou então em Salústio Passieno Crispo, com quem se casou e que se disse que o terá assassinado posteriormente para herdar a sua avultada fortuna pessoal. Apesar de todas estas vicissitudes, gozava de grande popularidade em Roma, e com a ajuda de Palante e de Vitélio conseguiu contrair matrimónio em 49 com o seu tio Cláudio, imperador. O poder de Agripina aumentou ainda mais. Em 50, por exemplo, assumiu de motu próprio o título de Augusta e fez com que Cláudio adotasse o seu filho Nero. Agripina não deixou de participar em atividades de governação, tendo estado na origem da fundação da cidade de Colonia Agrippina (atual Colónia, na Alemanha), do afastamento da bela Lólia Paulina (que Cláudio tinha pretendido desposar em 48), votada ao exílio e depois constrangida a suicidar-se, para além da nomeação de um seu favorito, Burro, para o importante cargo de Prefeito do Pretório.
Temendo que Cláudio pudesse preferir Britânico em detrimento de seu filho Nero para a sucessão imperial, Agripina, ao fim de algum tempo a participar no poder, envenenou o imperador com um prato de cogumelos venenosos, corria o ano de 54. Nero assumia então o Império.
Inicialmente, manteve praticamente intacto o seu poder, mas não terá demorado muito para que Agripina assistisse a um crescendo de autoritarismo por parte de seu filho Nero, insuflado pelo apoio de Séneca e de Burro, antigos amigos e aliados de sua mãe. Por isso, era preciso aniquilar Agripina para a afastar dos meandros do poder, onde ela era ainda uma destacada figura. Mas tal desiderato de Nero revelou-se difícil, tentando-se vários estratagemas para o conseguir, mas sempre sem sucesso. Em 59, todavia, Nero e os seus esbirros acabariam por conseguir assassinar Agripina, que deixou escritas umas Memórias, fonte utilíssima para o conhecimento da história e do quotidiano de Roma e das suas principais figuras durante quase meio século. A sua morte, recorde-se, foi motivo para grandes e estrondosos festejos em Roma, preparados por Nero.
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