Carol Reed

Realizador inglês, Carol Reed nasceu a 30 de dezembro de 1906, em Londres, no seio de uma família de lavradores. Ainda jovem, revelou apetência pelo teatro, tendo-se estreado em 1923 como ator. Alguns anos mais tarde, chegaria mesmo a produtor. Em 1931, travou conhecimento com o escritor policial Edgar Wallace e tornou-se seu assistente pessoal, tendo supervisionado a adaptação cinematográfica de algumas obras do escritor. Tornou-se assistente de realização do diretor Basil Dean e, em 1935, estreou-se como realizador com o filme Midshipman Easy. Dirigiu em seguida uma série de comédias ligeiras e de melodramas, antes de surpreender o público inglês com The Stars Look Down (Noite Sem Estrelas, 1939), um drama extremamente realista sobre uma comunidade mineira galesa, magnificamente protagonizado por Michael Redgrave. Enveredou depois pelo thriller, rodando sucessivamente Night Train to Munich (1940), com Rex Harrison e Kipps (1941), a partir de um conto de H. G. Wells. Com o advento da Segunda Guerra Mundial, Reed trabalhou como documentarista. Todas as suas filmagens na linha da frente dos Aliados deram origem a uma bela longa-metragem de cariz documental intitulada The True Glory (A Verdadeira Glória, 1945), galardoada com um Óscar. Findo o conflito, começou a planificar um filme cuja temática se centrava na resistência irlandesa e que foi lançado dois anos depois: Odd Man Out (A Casa Cercada, 1947) apresentou James Mason no papel de um líder rebelde irlandês e que, após um arriscado assalto, se envolve numa fuga às autoridades. O êxito deste filme levou a que o mítico produtor britânico Alexander Korda o convencesse a assinar um contrato de realização de cinco fitas. Entre estes títulos, encontram-se os dois melhores da sua carreira, elaborados a partir de histórias escritas por Graham Greene: em The Fallen Idol (O Ídolo Caído, 1948), descreveu um universo adulto a partir dos olhos de uma criança que tem uma adoração por um criado acusado de homicídio. O seu filme seguinte foi o célebre thriller The Third Man (O Terceiro Homem, 1949), em que abordou o ambiente corrupto que caracterizava Viena após a Segunda Guerra Mundial, colocando em confronto um vigarista (Orson Welles) e um jornalista americano (Joseph Cotten). Por ambos os títulos, Reed arrecadou duas nomeações para o Óscar de Melhor Realizador, sendo que, com The Third Man, venceu a Palma de Ouro do Festival de Cannes. Os seus filmes seguintes, que incluíram títulos como Outcast of the Islands (Os Desterrados do Arquipélago, 1951), Trapeze (Trapézio, 1956), foram rotundos fracassos de bilheteira. Foi obrigado a adotar um cariz mais comercial, dirigindo épicos como Mutiny on the Bounty (Revolta na Bounty, 1962), em que foi despedido a meio das filmagens por desentendimentos com Marlon Brando, e The Agony and the Ecstasy (A Agonia e o Êxtase - Miguel Ângelo, 1965). O merecido Óscar veio quando realizou a adaptação para musical do célebre romance de Charles Dickens: Oliver! (1968). Com um elenco maioritariamente composto por atores ingleses, onde se destacou o seu sobrinho Oliver Reed, o filme saiu vencedor de cinco Óscares: Melhor Filme, Realizador, Som, Direção Artística e Banda Sonora Musical. O seu último filme foi The Public Eye (Segue-me Querido, 1972) cujomau resultado comercial o obrigou a abandonar o mundo da Sétima Arte. Faleceu em Londres, a 25 de abril de 1976.
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