Castelo de Castelo de Vide

Castelo de Vide é uma vila do Alto Alentejo interior que se desenvolve estrategicamente no alto de um dos montes dos contrafortes da serra de São Mamede, vigiando uma via militar romana que ligava a grande cidade de Mérida à costa atlântica.
Por esse facto, quer durante o período da romanização, quer posteriormente, Castelo de Vide recebeu diversas construções militares, salientando-se o seu castelo medieval, começado a erguer no tempo de D. Dinis e ampliado e renovado no séculos seguintes. O longo período que medeia entre a ocupação romana e as lutas da Reconquista constitui um hiato histórico, não se tendo notícia da evolução histórica da povoação de Castelo de Vide e da sua fortaleza. Tem-se conhecimento que esta vila pertencia ao reino de Portugal antes de 1232 e o seu município crescia e alcançava reconhecimento no reinado de D. Afonso III.
A primeira questão político-militar surgiu numa disputa entre o infante D. Afonso e seu irmão, o futuro rei D. Dinis, filhos de dois casamentos de D. Afonso III - o primeiro invocava a ilegitimidade do segundo. Ao subir D. Dinis ao trono de Portugal, logo o irmão, em atitude de desafio, mandou amuralhar a vila do seu patronato: Castelo de Vide. Ato contínuo, D. Dinis cercou a povoação e, no momento em que se preparava para lançar o ataque, uma embaixada vinda de Aragão trouxe a proposta de casamento do nosso monarca com D. Isabel de Aragão (a Rainha Santa Isabel), ao mesmo tempo que pacificava os conflituosos irmãos. Mais tarde, novas questões levantadas pelo matrimónio de D. Afonso com uma infanta de Castela, levaram a que este abdicasse do senhorio de Castelo de Vide e de outras praças-fortes da fronteira alentejana, recebendo em troca Sintra, Ourém e outras vilas mais distantes da fronteira portuguesa. Por esta sucessão de circunstâncias, D. Dinis mandou proceder à construção de uma cerca amuralhada, ao mesmo tempo que remodelava o antigo castelo, obras que prosseguiram com D. Afonso IV e D. Pedro I. D. Fernando entregou Castelo de Vide à Ordem de Avis, permutando-a com Castro Marim. D. Pedro, Duque de Coimbra e regente do reino na menoridade de D. Afonso V, prosseguiu nas campanhas de melhoramentos dos castelos da raia fronteiriça, incluindo Castelo de Vide. No século XVII, foram efetuadas algumas adaptações modernas do perímetro defensivo castrense, mas que ficaram arruinadas. No século seguinte o governador militar da praça-forte mandou construir nas proximidades do castelo medieval o abaluartado Forte de S. Roque, mais tarde abandonado.
A chamada às armas ocorreu durante a crise de 1383-85, situação que se verificou posteriormente e mais de uma vez, nomeadamente nas Guerras da Restauração do século XVII, nas guerras da Sucessão espanhola do século XVIII, na infamante ocupação espanhola e francesa de 1801 e ainda com as invasões francesas de 1808-1811. Por tudo isto, parte da volumetria da fortaleza de Castelo de Vide sofreu graves danos e perdas.
Alcandorando-se imponentemente no alto de uma colina, a praça-forte medieval de Castelo de Vide apresentava uma planta quadrangular, com os panos de muralha reforçados por cinco torres quadrangulares e cubelos circulares, e possuía ainda uma barbacã ameada. A porta da vila rasga-se no panejamento virado para nascente, constituída por um amplo portal duplo que abre para um pequeno pátio, e dá ligação à porta interna do poente.
No panejamento amuralhado do lado norte subsistem fragmentos de mísulas de um antigo balcão e ainda duas fenestrações. Aqui ergue-se altiva a Torre de Menagem de D. Dinis, parcialmente destruída por explosão ocorrida em 1705, a qual danificou a abóbada ogival de nervuras. No espaço compreendido entre duas torres restam ainda estruturas da alcáçova primitiva.
A cerca de muralhas abrigava o casario da vila, que se conserva na sua maior parte e maravilha o visitante com os seus bonitos e singelos trechos urbanísticos, nomeadamente a ritmada sequência dos antigos aquartelamentos modernos na Rua de Santo António. Era constituída por quatro portas, das quais subsistem a Porta Nova e a de Santa Catarina, perdendo-se com o crescimento do burgo parte da cerca e as portas de S. João e de Aramenha.
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