Huambo

A província de Huambo - confinada pelas províncias angolanas de Kwanza Sul (a norte), Bié (a nordeste), Huíla (a sul) e Benguela (a oeste) - tem uma superfície de 34 275 km2 e uma população de 1 859 000 habitantes (2004) constituída, na sua maioria, pela etnia Ovimbundo (ou Umbundo). A nível geomorfológico, a região situa-se numa área planáltica acima dos 1500 metros, sendo Moco o maior pico montanhoso da região e do país, com 2620 metros.
A cidade de Huambo, capital da província e a segunda cidade maior de Angola, com 173 000 habitantes (2004), foi fundada, em 1912, por Norton de Matos, tendo recebido a designação de Nova Lisboa (nome que permaneceu até à data da independência de Angola) e alcançado uma grande prosperidade durante o período colonial. A província do Huambo, uma das mais fustigadas pela guerra (sobretudo depois das eleições de 1992), foi ocupada durante muito tempo pela UNITA, que chegou a ter aí o seu quartel-general. Depois do fim da guerra, o governo provincial tem desenvolvido várias iniciativas para recuperar a região que outrora foi um dos maiores parques industriais e um dos maiores centros intelectuais de Angola. As principais potencialidades económicas encontram-se: na produção agrícola, com a cultura de milho, feijão, batata doce, trigo, arroz, citrinos, café, maracujá e batata; nas explorações madeireira (eucaliptos e pinheiros) e mineral (ferro, estanho, urânio, ouro, manganésio, volfrâmio, molibdénio); na indústria, principalmente, nas áreas de materiais de construção, têxtil, alimentar, metalomecânica, química e mobiliário.
A fim de relançar a economia local e de reabilitar as infraestruturas nos setores de educação, saúde, energias e comunicações terrestres estão a decorrer campanhas de angariação de investimentos nacionais e estrangeiros. Desde a década de 90, com o apoio da ADPP (Ajuda de Desenvolvimento de Povo para Povo) e de várias instituições públicas e organizações não-governamentais, como UNICEF, Programa Alimentar Mundial, Humana-Holanda, Hello Trust, entre outras, têm vindo a ser lançados vários projetos de ajuda humanitária, no município de Huambo. Em 1991, foi criado o projeto Cidadela das Crianças e dos Jovens para proteger e educar as crianças, essencialmente, órfãs de guerra. Nesse mesmo ano, foi também lançado o projeto Plantação de Eucaliptos, com as finalidades de produzir madeira para construção e de angariar fundos para os projetos da ADPP. Em 1994, foi lançado o Projeto Venda de Roupa com o objetivo de fornecer à população roupa e sapatos a preços acessíveis e, em 1995, foram criados dois projetos na área da educação: Escola de Artes e Ofícios e Escola Professores do Futuro, esta última visando a preparação de estudantes estagiários na prática do ensino, através de estágios em escolas rurais. Naquele ano, foi também lançado o projeto Ajuda às Crianças para apoiar a população deslocada, que tem vindo a aumentar nos arredores da cidade de Huambo. Em maio de 2004, foi inaugurado o espaço "Jango Juvenil", na capital provinciana, não só para ministrar (inicialmente, a 1320 jovens) cursos gratuitos de informática, secretariado, inglês, pastelaria, primeiros socorros e educação física, como também para fazer palestras sobre a Sida.
A nível cultural, destaca-se o artesanato que reflete o complexo sócio-cultural dos Ovimbundos pelas bengalas ou bastões, estatuetas, armas de caça e guerra.
Como referenciar: Huambo in Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2020. [consult. 2020-02-20 02:15:06]. Disponível na Internet: