Igreja Matriz do Barreiro

Da antiga matriz da cidade do Barreiro não subsistem quase nenhuns vestígios materiais, dado que este templo foi sujeito a uma reconstrução total em 1877.
Para aumentar o seu infortúnio, a Matriz do Barreiro foi profanada e parte do seu interior pilhado durante as convulsões que se seguiram à implantação da República (1910). A situação chegou a tal ponto que o seu interior serviu, durante algum tempo, como palheiro. A frontaria espelha bem esta metamorfose e decadência, não revelando motivos artísticos de interesse. Ressalva para o símbolo da Cruz da Ordem de Santiago que está a sobrepujar o portal de entrada. Também numa das torres sineiras foi inserido um dos relógios, proveniente do extinto Convento da Verderena.
O corpo da igreja é amplo e formado por uma só nave, com coro alto, estando coberto por um teto estucado e pintado em ilusória perspetiva ilusória, empreitada realizada em 1877 pelo artista Bordes. A parte inferior das paredes são forradas por revestimento cerâmico do século XVIII, em tons de azul e branco, abrigando-se em arcos de volta perfeita cinco altares. O destaque vai para a Capela do Sacramento, localizada no lado direito, que contém uma pintura alusiva à Última Ceia, sobressaindo ainda duas esculturas em madeira policromada que representam a Virgem com o Menino e S. Miguel Arcanjo.
A capela-mor, com o teto decorado por relevos em gesso alusivos a Santa Helena e à Invenção da Cruz, expõe um belo retábulo em talha dourada barroca do século XVIII, fechando a tribuna uma tela setecentista com a Descida de Cristo da Cruz, pintura provavelmente inspirada num modelo de Rubens, mas de inferior qualidade pictórica. As paredes da capela-mor são revestidas por azulejos figurados do século XVIII, em tons de azul e branco, mostrando a Pregação de S. João Batista e o Batismo de Cristo.
Como referenciar: Igreja Matriz do Barreiro in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-07-22 05:07:48]. Disponível na Internet: