Imperadores-soldados (Roma)

Roma teve ao longo da sua História uma série de imperadores, denominados imperadores-soldados, que ascendiam ao poder apoiados por uma fação dos nobiles, pela guarda pretoriana - que esperava receber contrapartidas -, pelos seus clientes (personalidades que lhes deviam favores políticos) e outros grupos de Roma e, no exterior, lutavam para manter o poder e manter a sua dignitas. Alguns destes imperadores tinham uma verdadeira obsessão pelo poder, podendo mesmo dizer-se que eram casos patológicos.
Octávio César Augusto (63 a. C. – 14 d.C.), primeiro imperador romano (31 a.C.-14 d.C.), que passou a chamar-se Júlio César Otaviano (ou Octávio) depois de ter sido adotado em 44 a. C. por Júlio César, empreendeu uma obra imensa para reorganizar e restaurar o império a todos os níveis e inaugurou um regime em que o poder centralizador do príncipe se alia ao respeito.
Tibério (42 a.C.-37 d. C.) conduziu o império como senhor absoluto, tendo concedido gradualmente mais influência ao prefeito Sejano. Governou entre 14 e 37. Calígula (12-41) teve um reinado curto, porém marcado por extravagâncias que levam a supor que este imperador era louco. Reinou entre 37 e 41, depois de Tibério.
Galba (4-69) foi imperador em 68-69, após se ter revoltado contra Nero. Foi assassinado a 15 de janeiro de 69 pelos soldados partidários de Otão.
Otão (32-69) juntou-se à revolta de Galba, mas foi obrigado a ceder perante Vitélio; tendo sido derrotado em Bedriac, acabou por se suicidar a 16 de abril de 69. Esteve à frente do Império entre janeiro e abril de 69.
Vitélio (15-69) foi proclamado imperador pelas suas legiões em abril de 69, mas o seu reinado foi curto, vindo a ser feito prisioneiro e condenado à morte (21 de dezembro de 69) em Roma por Muciano e Vespasiano.
Vespasiano (9-79), que assassinara o seu antecessor, Vitélio, foi favorável aos provinciais, o que lhe trouxe a inimizade dos senadores. Governou entre 69 e 79.
Domiciano (51-96) acentuou o absolutismo imperial, tendo-se apoiado para tal nos cavaleiros contra os senadores. Domiciano foi um grande construtor, finalizou o fórum iniciado por seu pai e erigiu no Palatino o grande Palácio Flaviano. Reinou entre 81 e 96, por entre grandes ferozes perseguições aos Cristãos.
Trajano (53-117) foi um imperador (98-117) preocupado em proporcionar segurança ao império e o seu reinado foi marcado por um certo liberalismo. Foi também durante o seu reinado que o Império Romano atingiu a sua extensão máxima, chegando ao Golfo Pérsico.
Adriano (76-138 d. C.) foi imperador aos 41 anos e as suas maiores preocupações foram as de completar a organização do império e manter a paz. Grande viajante (visitou todo o império) ocupou-se pessoalmente do exército, que mantinha as fronteiras em bom estado. Era um apaixonado pela literatura, as ciências, as artes e a filosofia. Foi imperador entre 117 e 138.
Marco Aurélio (121-180) teve o seu reinado marcado por catástrofes e guerras. Foi favorável ao Senado e esforçou-se por lhe dar uma parte dos seus privilégios. Grande intelectual e filósofo brilhante, não foi um verdadeiro soldado mas de facto passou quase todo o seu reinado (161-180) em guerras nas fronteiras, principalmente na Germânia.
Cómodo (161-192) teve um reinado marcado pelo terror e pelas conspirações, tendo ele próprio sido assassinado. Sucedeu a seu pai, Marco Aurélio, e governou entre 180 e 192.
Sétimo Severo (145-208) quebrou a tradição romana, favorecendo os soldados em detrimento dos senadores e beneficiando acima de tudo o exército. Fundou a dinastia dos severos, bons administradores. Governou entre 193 e 211.
Caracala (188-217) sucedeu a seu pai, Sétimo Severo (211-217), na dinastia dos Severos. Esta dinastia síria introduziu elementos orientais na religião imperial.
Heliogábalo (204-222), de origem semita, foi educado em Emesa, onde se tornou sacerdote do Sol, daí o seu nome Heliogábalo. Foi proclamado imperador pelos soldados de Éfeso em 218, tendo vencido o imperador reinante. Foi assassinado em março de 222.
Alexandre Severo (209-235) foi um dos últimos imperadores da dinastia dos Severos, tendo sucedido a Heliogábalo. Reinou entre 222 e 235.
Aureliano (c. 214-275) consagra o seu reinado à defesa do império, ameaçado pelos bárbaros. Esteve na direção do Império entre 270 e 275.
Diocleciano (245-316) constituiu o regime que se tornou conhecido como Tetrarquia imperial (dois Augustos e dois Césares, responsáveis, sob a sua autoridade suprema, de missões e comandos regionais) e tentou simplificar e uniformizar a administração, a justiça, os impostos, reformas que deram origem ao desenvolvimento na burocracia. Reinou 284 e 286 dividindo o poder com Maximiano e depois na Tetrarquia entre 286 e 305, sucedendo-lhe Constantino.
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