Império Otomano

O Império Otomano constituiu um poder dominante no Oriente Mediterrâneo, desde o século XVI até ao século XIX. Os Otomanos surgiram na História como líderes dos Turcos que lutaram contra os Bizantinos na Anatólia Ocidental. O local de combate permitiu a Osman, fundador da dinastia Otomana, tirar partido da fraqueza dos Bizantinos e conquistar, progressivamente, através de ataques consecutivos e intensos, o território cristão. Esta situação atraiu milhares de Turcos e Árabes, que, fugindo à ameaça mongol, se juntaram a Osman. A conquista de Bursa permitiu a Osman o controlo dos sistemas administrativos, financeiros e militares bizantinos. A expansão otomana na Europa começou mais tarde, no reino de Orhan, filho de Osman. Progressivamente, o Império Otomano avançou sobre a Macedónia, a Trácia e mais tarde sobre a Península de Galipoli e o restante território bizantino Europeu. A transformação do principado otomano num vasto Império, cobrindo o sudeste Europeu, a Anatólia e o mundo Árabe, decorreu entre os séculos XIV e XVI. O Império Otomano primitivo, cujo território cobria as zonas do Danúbio até ao Eufrates, foi criado sobretudo por Murad I e Bayazid I. Murad concentrou-se sobretudo na Europa e liderou uma série de campanhas, que se estenderam até ao Danúbio e culminaram na Batalha do Kossovo (1389). Murad foi morto e derrotado por uma aliança de sérvios, bósnios e búlgaros, mas o seu filho Bayazid completou a vitória. Durante a década seguinte, Bayazid quebrou com tradição e partiu para conquista da Anatólia Turca, levando o império primitivo ao seu auge. Esta conquista fragilizou, porém, os suportes básicos do Estado Otomano. Os Muçulmanos e Turcos mais notáveis, opuseram-se a esta subjugação e recusaram-se a participar na campanha contra a Anatólia, que consequente foi levada a cabo por cristãos ao serviço de Bayazid. Ao mesmo tempo, a emergência dos Otomanos como grande poder na Anatólia, soou como ameaça para Tamerlano o grande conquistador mongol, que havia recentemente tomado grande parte do Irão e da Ásia Central. Assim, Tamerlano invadiu a Anatólia, derrotando e capturando Bayazid, que morreu prisioneiro no ano seguinte. Muhammad I, filho mais novo de Bayazid, elevou novamente o Império, assassinando os seus irmãos e lutando, entre 1402 e 1413, contra os cristãos e vassalos turcos na Europa e Anatólia. O seu filho, Munrad II, reconquistou diversos territórios até ao Danúbio, derrotando os príncipes sérvios e bulgários cristãos e substituindo-os por administradores otomanos. Esta política perdurou até ao reinado de Muhammad II, que derrotou os últimos príncipes cristãos a sul do Danúbio. As suas conquistas culminaram com a conquista de Constantinopla (1453) e a subjugação de todo o território que se estendia da Anatólia até Eufrates. Bayazide II terminou com a política de conquistas, de forma a consolidar o poder nos territórios que haviam já sido ocupados durante os reinos anteriores. Selim I (1470-1520), pelo contrário, usou a base de poder territorial e administrativa, que havia herdado, para derrotar o Império Mameluke e conquistar a Síria, a Palestina, o Egito e a Arábia, que tomou de assalto numa única campanha, incorporando, deste modo, no Império Otomano, o coração dos Antigos Califados Islâmicos. Suleiman I, cognominado o Magnífico, completou a expansão Otomana, avançando sobre o Danúbio para conquistar a Hungria e Viena (1529). No Oriente conquistou o restante território da Anatólia e o Iraque. O declínio do Império Otomano teve início no final do reino de Suleiman I e prosseguiu até ao final da Primeira Guerra Mundial. Uma reação oficial a este declínio surgiu por fases: a primeira deu-se com a Reforma Tradicional (1566-1807), que procurou restaurar as antigas instituições; a segunda surgiu com a Reforma Moderna (1807-1918) quando se abandonaram os antigos preceitos e foram adotados novos, importados do Ocidente. Com o fim do Império Otomano, no final da Primeira Grande Guerra, surgiu a República da Turquia, cujo território ocupa, atualmente, o antigo coração imperial: a Anatólia.
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