Independências na América Central

A primeira revolta mexicana que reivindicava a independência foi liderada por um sacerdote da localidade de Dolores, de seu nome Miguel Hidalgo y Costila, a 16 de setembro de 1810. Esta intentona foi inconsequente e o movimento libertador foi continuado por outro homem da Igreja, José Maria Morelos y Pavon, que proclamou em 1813 a República do México independente da Espanha. Em 1815, o exército de Morelos foi derrotado pelas forças realistas comandadas por Agustín de Iturbide, um crioulo leal aos espanhóis, que mais tarde se confrontou com o novo líder rebelde Vicente Guerrero, em 1821, numa altura em que o panorama político fora alterado pela Revolução espanhola de 1820, a qual permitiu a assinatura de um pacto entre as duas forças para unirem esforços na luta pela independência. O plano de Iguala ou das "Três Garantias" previa a independência do país, governado por uma monarquia, a elevação da religião católica a religião estatal e a igualdade de direitos para espanhóis e crioulos. Os partidários da dominação espanhola afastaram o inoperante vice-rei. Juan O'Donojú foi o último vice-rei a ser nomeado, mas ao chegar ao seu termo em 1821 não teve alternativa senão aceitar os termos do Tratado de Córdova, que conferia a independência ao México.

Guatemala
Este país da América Central, conquistado por Pedro de Alvarado em meados do século XVI (1523-1524), tornou-se independente a 15 de setembro de 1821, sendo incorporado por Agustín de Iturbide no Império mexicano, até 1823, quando voltou a ser independente em virtude de uma revolução decorrida no México que derrubou Iturbide. Também em 1823 foi estabelecida a União das Províncias da América Central, integrando a Guatemala, as Honduras, El Salvador, a Nicarágua e a Costa Rica, que se manteve até 1838.
Honduras
As Honduras, que outrora estiveram ligadas ao império pré-colombiano Maia, associaram-se à União das Províncias da América Central em 1823. Passados quatro anos (1827), o país era assolado por uma guerra civil, que se prolongou até 1829. Francisco Morazén, o líder da fação liberal, veio a ser o último presidente desta União, até ser afastado em 1842. Em 1840 a Guatemala declarava-se independente.

Belize
O Belize também fez parte do Império Maia, no entanto, veio depois a integrar outros impérios, como o espanhol em 1500, seguidamente o britânico, a partir de 1786. Em 1862 o Belize era considerado uma colónia subordinada à Jamaica, tornando-se em 1884 uma colónia independente da Coroa britânica. Só seria verdadeiramente independente a 2 de setembro de 1981.

El Salvador
País de raízes maias, dominado pelos espanhóis desde 1520 e pelos mexicanos na época de Iturbide, mais tarde membro integrante das Províncias Unidas da América Central, libertou-se desta federação a 1 de janeiro de 1941.

Nicarágua
A costa deste país foi avistada pela primeira vez pelo descobridor Cristóvão Colombo em 1502, todavia a instalação dos espanhóis em terras da Nicarágua só tiveram início em 1522 e foram continuadas em 1523 e 1524. A luta pela independência deste país relativamente a Espanha foi impreendida em 1821, porém em 1822 foi obrigado a fazer parte do império mexicano e em 1823 juntou-se à União das Províncias da América Central.
As forças liberais da Nicarágua não cessaram de lutar pela sua emancipação e em 1838 declararam uma república, o que levou o país a uma guerra civil em 1855. William Walker, um aventureiro americano ("gringo"), veio auxiliar os liberais e em 1856 foi eleito presidente da Nicarágua.
Panamá (1903)
Este país, a par de outras nações centro-americanas proclamou-se independente da Espanha em 1821, aproveitando um clima propício aos movimentos independentistas, e por vontade própria ficou a pertencer à Colômbia. Esta aliança não se mostrou muito vantajosa para o Panamá, que lutou por se separar da Colômbia, o que viria a suceder em 1842. Este processo complicou-se em 1846, quando os americanos garantiram a subserviência do Panamá face à Colômbia em troca de regalias relativas a direitos de transporte sobre os istmos do Panamá. Em 1855, a situação do Panamá melhorou e em 1863 uma renovada Constituição concedeu temporariamente a independência do país, até restaurar o seu controlo em 1866, provocando muitas manifestações de descontentamento por parte dos panamianos. No início do século XX (1903), o Panamá passou a decidir o seu destino, sendo reconhecida a sua independência pelos Estados Unidos da América.
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