John Masefield

Escritor inglês, nascido a 1 de junho de 1878, na pequena cidade de Ledbury, no Herefordshire. A sua meninice foi passada em contemplação da natureza, mas nada o terá seduzido mais do que o tráfego de embarcações no canal da região.

A tragédia familiar terá, no entanto, posto termo ao seu idílio. A sua mãe veio a falecer quando ele tinha apenas seis anos de idade, em consequência do parto de que nasceu a sua irmã mais nova, Norah. Pouco mais de um ano depois, perdeu também ambos os avós e, em 1890, o seu pai sofreu um colapso nervoso, ao qual se sucedeu o internamento pela família e a morte, no ano seguinte.
John Masefield foi então recolhido pelos tios, que não se mostraram dispostos a financiar as despesas escolares a que havia sido habituado. Mais ainda, desprezavam tanto a leitura como o jovem órfão a apreciava, pelo que a sua tia terá despachado a biblioteca do seu avô.

Aos treze anos de idade, teve de ceder à insistência da tia em seguir uma carreira naval. Contrariado, acabou por descobrir que a vida a bordo lhe proporcionava o tempo e as condições necessárias à leitura. E assim, enquanto embarcadiço no H.M.S. Conway, não tardou a apaixonar-se pelas histórias dos velhos lobos do mar, algumas das quais viria, mais tarde, a recontar na sua obra.

Em 1894, aos desasseis anos, Masefield embarcou, como grumete, a bordo do Gilcruix, rumo ao Chile e com passagem pelo Cabo Horn. Curiosamente, entre as suas tarefas constava o registo de acontecimentos no diário de bordo. Mas, se a viagem o brindava com as maravilhas inesperadas da fauna marinha e dos insólitos fenómenos da natureza, foi também marcada pela experiência do enjoo e das tempestades. Mais ainda, ao acostar no Chile, Masefield caiu vítima de uma insolação, pelo que teve que ser hospitalizado. Regressou a Inglaterra como mero passageiro, a bordo de um navio a vapor.

Tornou a embarcar em 1895, não sem grande relutância e devido principalmente à instigação da sua tia, num veleiro rumo a Nova Iorque. Aí aportando, confrontou-se com o seu desejo de se tornar escritor, o que o levou a desertar o navio.

Assim, com apenas dezassete anos, encontrava-se numa terra estranha, sem possibilidade de assegurar um emprego fixo. Viajou pelas áreas rurais norte-americanas, aceitando trabalhos precários, dormindo ao relento, vagabundeando pelos caminhos da fome e do frio.

Outra vez em Nova Iorque, trabalhou dois meses como ajudante de bar, e durante dois anos, como operário numa fábrica, o que lhe permitiu alimentar a necessidade da escrita e a grande paixão pela leitura. Masefield comprava, nessa época, cerca de uma vintena de livros por semana. Entre Charles Dickens, Rudyard Kipling, Keats e Shelley, lia também Chaucer, que se viria a revelar um marco importante na sua carreira como orador.

Regressando a Inglaterra, em 1897, conseguiu arranjar um emprego como bancário. Mal pago e de saúde debilitada, era vítima frequente de surtos de depressão, ansiando pelo campo e tendo que viver na cidade. Não abandonou, apesar de tudo, a escrita, e assim, com vinte e um anos, viu aceite para publicação o seu poema Niclas Morituras, que veio mais tarde a ser revisto e incluído em coletâneas posteriores.

Terá sido por essa altura que Masefield se apaixonou pela obra de William Butler Yeats o que, por grande insistência, teria acabado por resultar num encontro com este grande poeta irlandês, na sua casa em Londres, e numa amizade que daí nascia e duraria até ao fim das suas vidas.

Yeats teria encorajado Masefield, não só tornando-se seu mentor, como apresentando-o ao seu próprio círculo de amigos poetas, críticos e editores, com quem o jovem escritor se aconselhava. Aos vinte e quatro anos, Masefield, depois de ter contado com o aparecimento frequente dos seus poemas um pouco por toda a imprensa, publicou a primeira coletânea, Salt Water Ballads (1902), em que figurava um dos seus poemas mais reputados, Sea Fever, que gozou de uma popularidade imediata.

Um ano antes, em 1901, Masefield tinha conhecido a mulher que se viria a tornar a sua esposa. Constance Crommelin, de trinta e cinco anos, descendente de uma família de huguenotes fugidos de França para a Irlanda à perseguição da Igreja Católica, tinha estudado Literatura Inglesa e Clássica e era professora de Matemática. Apesar da diferença de idades, abandonou o seu estatuto social pela pobreza relativa em que vivia o poeta, dependente da escrita como sustento, e dele teve dois filhos.

Para manter a família, Masefield começou a fazer crítica literária para a imprensa, tendo eventualmente conseguido obter uma posição junto do Manchester Guardian no turno da noite. A par das suas próprias obras, chegou a escrever algumas peças de teatro, de sucesso duvidoso, e dois romances, Captain Margaret (1908), e Multitude and Solitude (1909). Em 1911 publicou o seu poema mais conhecido, Everlasting Mercy e, no ano seguinte, The Widow In The Bye Street e Dauber.

Com o começo da Primeira Guerra Mundial alistou-se na Cruz Vermelha, e foi enviado para França. A visão dos horrores da guerra tê-lo-á levado a empreender uma autêntica cruzada pelo melhoramento das condições hospitalares. Em 1916 foi convidado a comandar um navio-hospital rumo a Gallipoli. A expedição seria forçada a regressar com a derrota das tropas aliadas na área.

Por convite, Masefield daria início a uma série de palestras nos Estados Unidos, e embora tivessem sido originalmente previstas como conferências sobre Chaucer, resultaram na tentativa de angariar o apoio desse país. Foram-lhe conferidos doutoramentos Honoris Causa pelas universidades de Yale e Harvard e, mais tarde, por Oxford.

Publicou Reynard The Fox (1919) e retirou-se, finalmente, com a família, na década de 20, para a zona rural de Inglaterra, continuando as suas digressões como conferencista, e retomando o teatro, com peças como The Coming Of Christ (1928).

Em 1930 superou a expectativa, que via Rudyard Kipling como sucessor de Robert Bridges enquanto poeta régio, tendo sido nomeado por George V para o cargo, que ocuparia até à data da sua morte, a 12 de maio 1967, vítima de uma gangrena relacionada com a diabetes de que sofria. Os restos mortais jazem na Abadia de Westminster.
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