Líbia

Geografia
País do Norte de África. Banhado pelo mar Mediterrâneo, a norte, faz fronteira com o Egito, a leste, o Sudão, a sudeste, o Chade e o Níger, a sul, a Argélia, a oeste, e a Tunísia, a noroeste. O país tem uma área de 1 759 540 km2.As principais cidades são Trípoli, a capital de facto, com 1 111 900 habitantes (2004), Benghazi, a capital administrativa, com 636 600 habitantes, Misratah (218 100 hab.) e Az-Zawiyah (139 700 hab.).

Clima O quadro geográfico da Líbia divide-se, basicamente, em duas áreas: uma que corresponde ao deserto do Sara, representando 90% do total do território e cujo clima é desértico quente; e outra, na costa norte do país, com um clima de características mediterrânicas.

Economia
O clima deste país limita a atividade agrícola, já que apenas 1% do território é arável. No entanto, o Governo líbio vem desde há vários anos a desenvolver projetos de irrigação com o objetivo de aumentar a quantidade de terras aráveis (como é exemplo o projeto concebido no oásis de Al-Kufrah), aumentando assim a produção das culturas tradicionais (como os cereais), ao mesmo tempo que incrementa novas culturas, algumas delas introduzidas pelos Italianos em meados do século XX, como a oliveira e o tabaco. A criação de gado ovino é também uma atividade relevante nas áreas semiáridas. Estes projetos têm sido financiados pelos rendimentos adquiridos na extração e exportação do petróleo, que é, aliás, a maior riqueza da Líbia, representando 99% dos lucros na exportação e constituindo 2/3 do rendimento nacional. A indústria petrolífera está totalmente nacionalizada, pois desde a descoberta das jazidas de petróleo, em 1959, o Governo líbio assegurou o controlo da exploração deste recurso energético. O país integra, desde 1962, a OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo). Quanto ao setor industrial (que absorve 30% dos ativos, segundo dados de 1995), não se pode afirmar que se encontra desenvolvido, uma vez que se resume a pequenas indústrias de manufatura. Os principais parceiros comerciais da Líbia são a Itália, a Alemanha, a Espanha e a França.
Indicador ambiental: o valor das emissões de dióxido de carbono, per capita (toneladas métricas, 1999), é de 8,3.

População
Tem uma população de 5 900 754 habitantes (2006), maioritariamente concentrados na costa mediterrânica. As taxas de natalidade e de mortalidade são, respetivamente, de 26,49%o e 3,48%o. A esperança média de vida é de 76,69 anos. O valor do Índice do Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,783 e o valor do Índice de Desenvolvimento ajustado ao Género (IDG) não foi atribuído (2001). Estima-se que, em 2025, a população seja de 8 323 000 habitantes. Os árabes e os berberes líbios representam 97% da população. A língua oficial é o árabe.

História
A Líbia deve a sua identidade histórica à Sanusiyah, uma ordem islâmica que nasceu no Império Otomano e que pregava um Islamismo puro, ao mesmo tempo que dava assistência educacional e material, contribuindo assim para a origem de um sentimento de unidade que se propagou à medida que a própria ordem se espalhava pelo território. A Sanusiyah teve, aliás, um papel preponderante durante a colonização do território por parte da Itália, colonização essa que se iniciou em 1911. Desta data até ao fim da Primeira Guerra Mundial, a Itália deparou com grandes dificuldades para subjugar os líbios. Esta situação alterou-se com a tomada do Poder em Itália por parte dos fascistas, que nomearam de imediato um governador capaz de impor a vontade italiana no território. Tal foi conseguido com algum sucesso, embora a região de Cirenaica, no Nordeste da Líbia, de forte implantação sanusiyah, constituísse um autêntico enclave que os italianos nunca conseguiram verdadeiramente dominar.
A colonização italiana, que foi reforçada em 1935 por uma colonização demográfica, como a denominou Benito Mussolini, contribuiu para um rápido desenvolvimento a todos os níveis, situação que durou até à Segunda Guerra Mundial, altura em que as campanhas no Norte de África destruíram quase por completo a estrutura económica do país. Mas, no meio deste descalabro, algo de positivo aconteceu, pois, graças ao voluntarismo de forças Sanusi que lutaram ao lado dos Aliados, nomeadamente ao lado dos Ingleses, a Líbia encontrou apoio suficiente para contrariar a pretensão da Itália de permanecer no país. Esta pretensão foi definitivamente contrariada na sede da Assembleia Geral das Nações Unidas, quando foi votada uma resolução onde se podia ler que a Líbia deveria tornar-se um reino independente até 1 de janeiro de 1952. Assim, em 1950, o líder dos Sanusiyah, o pró-britânico Sidi Muhammad Idris, foi escolhido como rei por uma assembleia nacional. O rei Idris I declarou a independência a 24 de dezembro de 1951, ao mesmo tempo que proibia a existência de partidos políticos, orientando o seu poder por linhas fundamentalistas.
Apesar do apoio ocidental à monarquia líbia, este país nunca conseguiu deixar a situação económica e socialmente precária herdada da Segunda Guerra Mundial, quadro que só foi alterado quando foram descobertas, em 1959, as primeiras de muitas jazidas de petróleo. Dez anos mais tarde, mais precisamente a 1 de setembro, um grupo de jovens militares, chefiado pelo coronel Muhammar Khadaffi, depôs Idris I e tornou a Líbia numa república. A partir de então, a política da Líbia (país que em 1977 adotou o socialismo como ideologia dominante) foi orientada para a procura de uma união entre os países árabes. Esta união, no entanto, nunca foi verdadeiramente conseguida, já que muitos têm sido os governos descontentes com o apoio dado por Khadaffi a vários grupos terroristas e organizações revolucionárias. Tal circunstância tem contribuído ainda para a crescente deterioração nas relações com os países ocidentais, principalmente com os Estados Unidos da América e com a Inglaterra e a França, adversários das pretensões líbias sobre a fronteira com o Chade, uma zona mineralmente muito rica. O contínuo isolamento internacional, agravado pelo embargo económico decretado pelas Nações Unidas na sequência de um atentado de que resultaram 270 mortos, tem contribuído para um declínio económico. Há contudo, sinais de mudança. Embora a Amnistia Internacional continue a criticar a violação dos direitos humanos aqui existente, reconhece que se registam progressos no sentido de uma maior aproximação com a Comunidade Internacional, desde que Khadaffi renunciou às armas de destruição maciça e reconheceu, com indemnizações, a sua responsabilidade por vários atos terroristas.
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